Senador Magno Malta é acusado de agredir técnica de radiologia em Hospital

Parlamentar teria dado um tapa na cara da profissional de saúde. Denúncia contra senador exige investigação rigorosa e, se confirmada, consequências à altura do cargo público

A denúncia registrada na Polícia Civil do Distrito Federal contra o senador Magno Malta não pode ser vista como mais um ruído passageiro no já saturado noticiário político. Trata-se de uma acusação grave, feita por uma profissional de saúde no exercício da sua função, dentro de um ambiente hospitalar, espaço que, por definição, deveria ser protegido por ética, respeito e confiança. Quando um agente público é apontado como autor de violência física e verbal contra quem trabalha para cuidar, o que está em jogo é a proteção à mulher aos profissionais de sáude.

É fundamental que a apuração ocorra com rigor técnico, celeridade e transparência. A investigação precisa reunir provas materiais, testemunhais e periciais, garantindo o devido processo legal, mas sem complacência. Em democracias maduras, não há espaço para blindagens informais ou corporativismos quando há indícios de abuso de poder. O cargo de senador não é escudo, ao contrário, impõe um padrão de comportamento mais elevado, justamente pelo alcance institucional que carrega.

Episódios como esse testam a capacidade das instituições: isto é, responsabilização efetiva de agentes públicos por seus atos. Caso as provas confirmem a agressão, as consequências precisam ir além do campo criminal. Devem alcançar o plano político e ético: sanções no Conselho de Ética, possível cassação de mandato, isolamento institucional e inviabilização de capital político. A ausência de consequências firmes alimenta a cultura de impunidade e corrói a confiança da população nas instituições democráticas.

Respeito, dignidade e limite ao exercício do poder. Profissionais da saúde não podem trabalhar sob medo, muito menos serem alvos de violência por cumprirem seu dever. Se a democracia ainda pretende ser um espaço de garantias e não de privilégios, é agora que ela precisa demonstrar força, com investigação séria, julgamento justo e consequências proporcionais.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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