Em meio ao caos político, Gabeira dá aula de ajuste de prioridades

Crises estruturais com desconfortos imediatos. A República balançou… O último até deu pra ajeitar. Já o primeiro… O ‘buraco’ é mais embaixo…

Há semanas em que Brasília parece um laboratório de absurdos a céu aberto: decisões atravessadas, discursos inflamados e a velha sensação de que o roteiro nacional foi escrito por alguém que desistiu da coerência no primeiro ato. Mas eis que, no meio do caos institucional, surge o verdadeiro acontecimento capaz de unir o país em um raro consenso: o instante em que Fernando Gabeira, ao vivo na GloboNews, resolve… ajustar o próprio desconforto. E pronto. A República pode até balançar, mas o que viraliza é o gesto mais humano e mais involuntariamente simbólico da semana.

Enquanto figuras públicas treinam exaustivamente para parecerem inabaláveis, o corpo, esse traidor elegante, insiste em lembrar que ninguém escapa de si mesmo. O ajuste íntimo de Gabeira não foi apenas um movimento físico; foi quase uma metáfora nacional: estamos todos, de alguma forma, tentando nos ajeitar em público, fingindo naturalidade enquanto o incômodo grita. Uns disfarçam melhor, outros… nem tanto.

Não importa o tamanho da crise, o peso das decisões ou o impacto social dos acontecimentos: basta um gesto fora do script para sequestrar a atenção coletiva. É como se houvesse um prazer quase infantil em reduzir o complexo ao risível, transformando o desconforto alheio em alívio próprio. Rimos porque reconhecemos. Rimos porque, em algum nível, também estamos tentando manter a compostura enquanto a vida pinica entre nossas pernas.

E assim seguimos entre crises e coceiras existenciais. Talvez o verdadeiro retrato do país não esteja apenas nos grandes debates, mas nesses pequenos lapsos de humanidade que escapam ao controle. No fim das contas, o Brasil não para para se entender, ele para para assistir, comentar e, claro, compartilhar. Mas, na boa, gente… Se há algo que nos une mais do que qualquer pauta urgente, é a deliciosa incapacidade de ignorar quando alguém, em rede nacional, resolve apenas… se ajeitar.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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