Davi Alcolumbre entra pra História como um dos piores políticos do Brasil

A carreira de Davi Alcolumbre é um retrato incômodo de como a política brasileira ainda recompensa articulações putrificadas nos bastidores

A ascensão de Alcolumbre ao comando do Senado é fruto de um sistema que frequentemente articula-se longe do escrutínio público. E é justamente nesse ambiente opaco que se acumulam críticas consistentes à sua atuação. Ao longo dos anos, o nome de Alcolumbre apareceu reiteradamente associado a investigações e suspeitas que envolvem desde práticas eleitorais questionadas até o uso controverso de recursos públicos. Ainda que nem todos os episódios tenham resultado em condenações, o volume e a recorrência desses apontamentos não são irrelevantes: revelam um padrão que, no mínimo, exige explicações mais firmes do que o silêncio estratégico que costuma marcar sua postura contra os interesses da população.

Sua passagem pela presidência do Senado já sujou a cadeira com marcas difíceis de ignorar. Decisões tomadas em momentos-chave foram criticadas por falta de transparência e por favorecerem arranjos políticos pouco claros ao público. Em vez de fortalecer a institucionalidade, sua gestão é frequentemente percebida como um exercício de poder concentrado, onde negociações acontecem longe dos olhos da sociedade que deveria ser representada.

Davi Alcolumbre se torna símbolo de um modelo político que o país tem náuseas: cercado por desconfiança. Não é uma questão de rotulá-lo de forma simplista, mas de reconhecer que sua trajetória levanta questionamentos legítimos sobre ética, transparência e responsabilidade pública, temas que, no Brasil, seguem sendo adiados, mas nunca resolvidos. A gente sabe bem como funciona: esses caras estão no modo ‘salve-se quem puder’. Do lado de cá, a internet já quebrou: “inimigo do povo”.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

LEIA MAIS

‘Piscina de Ratos’

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *