O búfalo merece respeito: comparação com Trump é insulto

Animal que virou meme por suposta semelhança física com presidente americano reúne virtudes que seu sósia humano nunca terá

Quando um búfalo viraliza nas redes sociais por lembrar Donald Trump, a primeira vítima não é a política americana. É o próprio búfalo. Afinal, ele é um animal reconhecido pela força, pela resiliência, pelo senso de proteção ao grupo e pela impressionante capacidade de enfrentar ambientes hostis sem transformar cada obstáculo em uma guerra pessoal. Compará-lo a um personagem cuja trajetória pública é marcada pela polarização permanente parece uma crueldade gratuita com a espécie.

O búfalo não acorda todas as manhãs procurando um inimigo para culpar por seus problemas. Não passa horas produzindo conflitos para alimentar a própria imagem. Sua imponência não depende de plateia, curtidas ou manchetes. Existe uma diferença fundamental entre a força autêntica e a necessidade permanente de demonstrar força. O búfalo carrega a primeira com naturalidade. Já Trump é um maluco que transforma a segunda em um espetáculo diário, como quem teme que o silêncio revele o tamanho real da própria estatura.

O búfalo não precisa convencer os outros de sua grandeza. Não cria narrativas épicas sobre si mesmo. Não se apresenta como o único capaz de salvar o rebanho. Sua autoridade nasce da presença, não da propaganda. Além da real semelhança, o caso me remete o contraste entre dois animais primitivos: um simplesmente é. O outro precisa constantemente anunciar que é.

Vivemos uma era tão saturada de personalidades extravagantes que qualquer topete diferente já desperta associações políticas instantâneas. Mas convém estabelecer limites morais nessa brincadeira. O búfalo pode ser teimoso, pesado e até assustador quando provocado. Ainda assim, continua sendo um animal de hábitos previsíveis, relativamente coerente e perfeitamente integrado à realidade. Qualidades que, convenhamos, deveriam bastar para absolvê-lo de qualquer comparação mais comprometedora com o outro animal.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

LEIA MAIS

João Fonseca não é promessa: já é ídolo internacional

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *