Brasil precisa decidir que tipo de elite quer formar: Faculdade de Direito em Belém acerta ao comunicar, esse final de semana, expulsão dos alunos que agrediram morador de rua
Tem horas que uma instituição de ensino precisa decidir se quer formar profissionais ou apenas diplomar cúmplices. A expulsão dos estudantes envolvidos em um ato de violência contra um morador de rua, divulgadas agora pela universidade, é uma afirmação moral. Universidades não são territórios neutros onde tudo pode ser relativizado em nome de trajetórias acadêmicas promissoras; são espaços de construção de consciência.
Esse tipo de decisão precisa deixar de ser exceção e se tornar regra. A permissividade institucional diante de condutas violentas cria uma pedagogia silenciosa: ensina que privilégios sociais podem blindar indivíduos de responsabilização. Ao contrário, quando há punição clara e proporcional, a mensagem se reorganiza: não há carreira, sobrenome ou promessa de futuro que se sobreponha à dignidade humana. É assim que se interrompe a reprodução de hierarquias que naturalizam a brutalidade contra os mais vulneráveis.
A violência filmada e compartilhada pelos alunos revelou um desejo cruel de reconhecimento perverso, a busca por validação através da humilhação do outro. Quando a instituição responde com firmeza, ela rompe esse circuito, recolocando limites onde eles foram apagados. Punir, nesse contexto, é reintroduzir a noção de responsabilidade em sujeitos que passaram a agir como se estivessem acima dela.
Replicar esse tipo de medida em todas as universidades do país é uma urgência ética. Instituições que formam juristas não podem ser coniventes com a barbárie. A educação que não se posiciona diante do inaceitável falha em sua missão mais básica: formar cidadãos capazes de reconhecer o outro como humano. E isso, ao contrário de qualquer diploma, não pode ser opcional.
