Estado recompensa quem deveria estar sob máximo escrutínio, e justiça passa a ser dúvida
O corpo da vítima mal esfriou e uma instituição que deveria zelar pela vida naturaliza a violência a ponto de recompensá-la, ainda que sob o manto frio da burocracia. Não é desvio administrativo; pode precer repetitivo, eu sei, mas é o sistema. Um sistema que, em vez de interromper o ciclo da brutalidade para refletir, parece reafirmá-lo como linguagem legítima. Quando a morte de uma mulher se cruza com a ascensão funcional de quem a matou, na minha opinião, acabou a civilização.
O gesto institucional comunica mais do que qualquer nota oficial jamais conseguiria reparar. Ele grita que a vida pode ser relativizada diante da engrenagem hierárquica; que o rito da promoção é mais urgente do que o luto; que o protocolo vale mais do que o fim da vida. Tudo isso importa. Eles educam, moldam comportamentos e criam permissões. E aí, meus amigos, abre-se espaço para algo ainda mais grave: a dessensibilização coletiva diante da violência. Gente… Atravessaram o limite do irreparável, sem contenção. O contrário disso; é assim que a barbárie começa, agora, a se insinuar como regra tolerável. Ou melhor, oficializar-se.
Que tipo de sociedade que se constrói a partir dessa desgraça toda? A Polícia e o Estado falham em reconhecer a gravidade de seus próprios atos, elas não apenas perdem credibilidade, elas autorizam o descrédito generalizado. E um país que já não confia em quem deveria protegê-lo caminha perigosamente para um estado onde a força substitui o direito, e o medo ocupa o lugar da justiça.
