Reeleição da Democracia marca a derrota histórica de uma família golpista que ousou roubar o poder
A História não absolve projetos que transformam a democracia em instrumento de ataque à própria democracia. Ao vencer as eleições e conquistar um novo mandato, Luiz Inácio Lula da Silva encerra um dos ciclos políticos mais conflituosos da redemocratização e devolve o bolsonarismo ao esgoto da história, destino reservado aos movimentos que apostam na intolerância, na desinformação e no desgaste permanente das instituições.
Lideranças carismáticas como Lula só permanecem fortes porque conseguem transformar mobilização em estabilidade institucional. O bolsonarismo escolheu o caminho inverso: alimentou a lógica do inimigo permanente, fez do confronto sua linguagem política e da tensão contínua sua estratégia de sobrevivência. Esse modelo produz desgaste inevitável e, mais cedo ou mais tarde, perde capacidade de convencer a maioria.
A reeleição de Lula não elimina a existência da extrema direita brasileira, mas devolve seus principais ratos ao esgoto novamente. Democracias maduras dependem de oposição forte e legítima. O que as urnas rejeitaram foi um método político fascista baseado na hostilidade permanente, na substituição do debate pelo ressentimento e na tentativa de transformar adversários em inimigos. Projetos assim podem produzir barulho, mas dificilmente resistem ao julgamento da História.
A derrota do bolsonarismo não representa apenas uma briga de poder; representa um julgamento político da sociedade brasileira. As urnas decretaram que não há espaço permanente para um projeto sustentado pelo desprezo às instituições e pela fabricação contínua do conflito. O bolsonarismo poderá sobreviver como memória ou como objeto de estudo, mas deixou de representar um destino para o país. A história foi implacável: devolveu-o ao esgoto de onde nunca deveria ter saído.
