Um Brasil que aprendeu a dizer, de cabeça erguida, que admira Luiz Inácio Lula da Silva
Durante muito tempo, uma parcela dos brasileiros foi levada a acreditar que admirar Luiz Inácio Lula da Silva era algo que precisava ser escondido, sussurrado ou justificado. O medo do julgamento, da hostilidade e da intimidação transformou uma preferência política em um constrangimento social. Mas 2026 parece marcar uma ruptura importante: milhões de brasileiros voltaram a dizer, sem baixar os olhos, aquilo em que acreditam. E isso, antes de ser uma vitória de um líder, é uma vitória da própria democracia.
A democracia só amadurece quando ninguém precisa pedir desculpas por suas convicções. Ela não exige unanimidade, exige liberdade. Um país saudável não é aquele em que todos pensam igual, mas aquele em que cada cidadão pode defender suas ideias sem medo de ser silenciado, ridicularizado ou perseguido. Quando o voto deixa de ser um segredo imposto pelo medo e volta a ser uma expressão livre da consciência, a República respira melhor.
O apoio a Lula, hoje, ultrapassa a figura de um presidente para muitos de seus eleitores. Tornou-se também a afirmação de que a política não pode ser sequestrada pelo ódio nem pela vergonha. A democracia não se fortalece porque um lado vence; ela se fortalece quando as pessoas recuperam o direito de ocupar o espaço público com coragem, sem esconder suas escolhas, sem pedir licença para existir e sem transformar a própria opinião em motivo de culpa.
Talvez a maior conquista de 2026 não esteja apenas nas urnas, mas na mudança de comportamento de um povo. Um povo que reaprendeu que a liberdade também é poder dizer, em voz alta, quem admira e por quê. Porque democracias não sobrevivem apenas de votos. Elas sobrevivem da coragem dos cidadãos de defender, com serenidade e dignidade, aquilo em que acreditam. E quando um povo perde o medo de falar, a democracia deixa de ser apenas uma palavra escrita na Constituição para voltar a ser uma prática viva nas ruas do Brasil.
