O ‘mimimi’ veio acompanhado também da incapacidade de perceber a importância que não se tem
Há um tipo de patriotismo que termina exatamente onde começa a fronteira dos Estados Unidos. Mal o resultado das urnas confirmou a vitória de Lula, um indivíduo resolveu escrever numa publicação de Donald Trump: “Trump, preciso falar com você. Mandei DM.” A cena é quase literária. Não pela diversão que nos proporcionou, mas pelo constrangimento. É a versão política de quem acredita que basta apertar um botão para entrar na sala de comando da maior potência do planeta e ser tratado como conselheiro internacional. Não é coragem. É uma profunda incapacidade de medir a própria relevância que não tem.
O episódio revela duas incompreensões elementares. A primeira é biológica e histórica: o sangue que corre nas veias desse rapaz é brasileiro. Não há vergonha nenhuma nisso; ao contrário, essa é a sua identidade. A segunda é geopolítica: para Washington, influenciadores brasileiros não ocupam lugar na formulação dos interesses americanos. Estados agem por interesse nacional, não por mensagens privadas em redes sociais. Quem imagina o contrário está imerso em fantasia digital de ‘coach’ com aplicação do método ‘vassalagem’.
Existe ainda um componente de subserviência que merece crítica. Sempre que alguém trata uma potência estrangeira como árbitra da democracia brasileira, transmite a ideia de que o próprio país seria incapaz de resolver seus conflitos pelas instituições que possui. A eleição foi decidida nas urnas, fiscalizada pelas regras constitucionais e reconhecida dentro do ordenamento jurídico. Pedir intervenção simbólica de fora, além de inútil, apenas reduz quem faz o pedido à condição de espectador da própria soberania.
Talvez esteja na hora dessa escória descobrir a própria dimensão. A importância de um brasileiro se constrói primeiro no Brasil, entre os brasileiros, e não esperando validação de quem sequer sabe seu nome. Como resumiu Lula em diversas ocasiões, os Estados Unidos pensam primeiro nos próprios interesses. Sempre pensaram. Achar que Donald Trump interromperia sua agenda para responder uma DM enviada do outro lado do continente por um ‘chiquitito’ não é demonstração de influência. É apenas a incapacidade de perceber a importância que não se tem na vida de quem nunca esteve olhando para você.
