Nos bastidores do poder e dos casamentos, a grande dúvida já circula em grupos restritos: quem fará o lançamento do escândalo primeiro: a imprensa ou a esposa de algum dos participantes, cuidadosamente escolhida para receber o material?
Existe uma velha ilusão de quem frequenta os corredores do poder: a de acreditar que o sigilo dura mais do que o ego. Em qualquer escândalo, o segredo nunca depende da tecnologia, mas da quantidade de vaidades envolvidas. Quando muita gente importante compartilha o mesmo risco, nasce uma competição silenciosa para descobrir quem conseguirá controlar a bomba. O problema é que narrativas obedecem menos aos seus autores do que aos ressentimentos de quem ficou pelo caminho.
A conversa dos bastidores já mudou de assunto. Ninguém pergunta mais se existe um vídeo. A pergunta passou a ser quem apertará o botão de “publicar”. A imprensa? Algum desafeto? Ou uma esposa que, depois de receber a gravação pelas mãos de alguém excessivamente solidário, resolva transformar um drama conjugal em um terremoto institucional recebendo, pelo menos, 10 milhões de seguidores em 24 horas? Há momentos em que a fidelidade deixa de ser um valor moral para virar uma variável estatística.
A ironia é que muitos dos personagens que ocupam espaços de prestígio costumam defender disciplina, respeito e valores elevados quando estão diante dos microfones. Mas bastaram entrar num foguete, perder a gravidade, e bingo: sensação de impunidade, afinal, nenhuma falava ou entendia português. Mas… o poder produziu um efeito curioso: convenceu certas pessoas de que seus atos permaneceriam privados para sempre, como se a influência política tivesse competência para revogar a curiosidade humana ou impedir que mágoas encontressem um pendrive.
É chegada a hora de não mais falar do conteúdo do vídeo, mas sobre seu destino. Escândalos raramente explodem pela força dos fatos; eles explodem quando alguém decide que já não vale mais a pena proteger quem antes parecia intocável. E, convenhamos, na política e nas relações pessoais existe uma regra que atravessa gerações: quase sempre o vazamento nasce menos da indignação do que da vingança. E vingança, como se sabe, costuma ter um excelente departamento de distribuição.
