Inclusão não pode esperar

Instituto Incluir leva à Conferência da ONU proposta para acelerar projetos voltados às pessoas com deficiência

Entidade defende que iniciativas ligadas à acessibilidade e à inclusão passem a ter prioridade máxima na tramitação administrativa; proposta apresentada em Brasília reforça que desenvolvimento sustentável só existe com participação plena de toda a sociedade

Em um país onde a burocracia frequentemente transforma direitos em promessas adiadas, o Instituto Incluir levou à Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), realizada em Brasília, uma proposta que pretende alterar a lógica de tramitação das políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência. A entidade defende que projetos relacionados à inclusão, acessibilidade e garantia de direitos passem a receber prioridade máxima nos processos de análise e tramitação administrativa, reduzindo o tempo entre a formulação das iniciativas e sua efetiva implementação.

A proposta parte de uma constatação que ultrapassa o campo administrativo e alcança dimensões humanas profundas. A espera prolongada por direitos essenciais produz um sentimento contínuo de exclusão, reforçando a percepção de que determinados grupos permanecem à margem do reconhecimento social. A lentidão institucional amplia desigualdades estruturais ao impedir que cidadãos tenham acesso, em tempo oportuno, às condições necessárias para exercer plenamente sua autonomia. O assunto é urgente porque a eficiência do Estado não se mede apenas pela produção de normas, mas pela capacidade de transformar direitos previstos em direitos efetivamente vividos.

“Quando um projeto voltado à inclusão demora anos para avançar, quem espera é uma pessoa com deficiência, uma família e toda uma rede de cuidado que já enfrenta desafios diariamente. Precisamos entender a inclusão como uma agenda urgente de desenvolvimento humano, saúde e cidadania”, afirma Carina Alves, psicóloga, fundadora e presidente de honra do Instituto Incluir.

Carina Alves participa da Conferência como uma das delegadas responsáveis por discutir e encaminhar ao governo federal propostas que poderão integrar as diretrizes para futuras políticas públicas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. As sugestões debatidas durante o encontro contemplam temas como redução das desigualdades, fortalecimento da participação social, promoção dos direitos humanos, educação, saúde e desenvolvimento sustentável.

Segundo a fundadora do Instituto Incluir, pensar inclusão significa adotar uma visão abrangente das políticas públicas, capaz de assegurar autonomia às pessoas com deficiência e, simultaneamente, oferecer suporte às famílias que compartilham os desafios cotidianos do cuidado. Essa perspectiva envolve investimentos em acessibilidade, educação inclusiva, saúde, esporte, assistência social e políticas permanentes de acolhimento, compreendendo que a inclusão não pode ser fragmentada em ações isoladas, mas estruturada como um compromisso transversal do Estado.

A entidade também sustenta que os projetos voltados às pessoas com deficiência sejam avaliados não apenas por critérios formais de tramitação, mas principalmente pelo impacto social que produzem e pela urgência das demandas que procuram atender. A proposta busca estabelecer um novo paradigma de gestão pública, no qual a vulnerabilidade social e o potencial de transformação coletiva sejam elementos centrais na definição das prioridades administrativas.

“O desenvolvimento sustentável só acontece quando todas as pessoas conseguem participar da sociedade. Priorizar projetos de inclusão é investir em uma sociedade mais justa, saudável e preparada para respeitar diferentes formas de existir”, conclui Carina Alves.

A Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reuniu representantes dos mais diversos setores da sociedade para discutir caminhos concretos de implementação das metas globais estabelecidas pela ONU. Entre os principais eixos debatidos estão a redução das desigualdades, a promoção da saúde, da educação, dos direitos humanos e da inclusão social. Nesse contexto, a proposta apresentada pelo Instituto Incluir reforça uma discussão cada vez mais presente nas democracias contemporâneas: a de que a verdadeira inclusão não depende apenas da existência de direitos, mas da velocidade com que eles conseguem alcançar quem mais precisa deles. Afinal, em matéria de cidadania, cada dia de espera representa uma oportunidade perdida de participação, autonomia e dignidade.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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