Após acionar autoridades americanas por ter sido procurado por um jornalista do Intercept, ‘deputado fugido’ sugere estar na mira do PCC nos EUA em mais um delírio político. Dudu já havia mentido sobre carro parado em frente a sua casa
Há algum tempo, Eduardo Bolsonaro já havia provocado espanto ao sugerir que um carro parado em frente à sua residência nos Estados Unidos poderia representar uma tentativa de assassinato. Depois, verificou-se que a situação estava longe do cenário dramático inicialmente descrito. Era um simples morador da rua. Agora, o deputado volta a produzir uma narrativa de perseguição ao misturar episódios distintos, insinuando ameaças ligadas ao PCC nos EUA (me poupe) e, ao mesmo tempo, tratando como suspeita a simples procura de um jornalista do Intercept em busca por informações. O padrão parece ser sempre o mesmo: transformar acontecimentos ordinários em enredos extraordinários.
Para “Dudu delírio”, qualquer ocorrência passa a ser interpretada como parte de uma conspiração permanente. Quando qualquer abordagem jornalística, qualquer movimentação de terceiros ou qualquer coincidência passa a ser lida como evidência de uma trama sombria, deixa-se o terreno dos fatos para ingressar no da fantasia política. E fantasias repetidas à exaustão podem até mobilizar militâncias, mas dificilmente resistem ao confronto com a realidade.
A necessidade narcísica de Dudu também é constante para ocupar o centro do palco. Em vez de apresentar provas concretas, investigações concluídas ou elementos verificáveis, cria-se uma atmosfera de ameaça contínua que alimenta a própria narrativa fantasiosa de vítima. É um mecanismo conhecido: quanto maior a sensação de perseguição, maior a tentativa de justificar a própria covardia em fugir. O resultado é uma espécie de inflação do drama, na qual acontecimentos triviais são elevados à condição de crise internacional.
O Brasil já enfrenta problemas reais demais para desperdiçar energia com teorias improvisadas e suspeitas lançadas ao vento por um MALUCO. Em algum momento, a sucessão de episódios desse tipo deve deixar de ser delírio político para se transformar em prisão, ou internação em um hospício. Mas não sei se existe hospício pra caráter. Enquanto assistirmos aos delírios do Dudu se transformando em método de comunicação, mais reforçamos nossas certezas.
