A demora em dar transparência às imagens de suposta violência contra a mulher levanta questionamentos de interesse público que não podem ser cerceados em torno de uma autoridade
Quando uma denúncia de suposta agressão contra mulher envolve uma autoridade da República, o assunto deixa de ser apenas uma questão privada e passa a ser de interesse público. Por isso, causa estranheza que, semanas após o episódio envolvendo o senador Magno Malta e uma profissional de saúde, a sociedade ainda não tenha recebido esclarecimentos conclusivos com imagens sobre os fatos. Em um momento em que câmeras de segurança estão presentes em praticamente todos os ambientes institucionais, a ausência de informações objetivas acaba alimentando dúvidas legítimas.
O ponto central não é condenar ninguém antecipadamente nem absolver qualquer das partes. O que chama atenção é a demora na apresentação de uma prova existente, para culpar ou absolver, que não é divulgada. Se existem imagens, elas foram analisadas? Se não existem, por que isso não foi esclarecido de maneira definitiva? Quanto mais o tempo passa sem respostas claras, maior é a sensação de que um episódio grave permanece envolto em uma névoa de incertezas que não interessa a ninguém.
A transparência é uma obrigação das instituições, especialmente quando o caso envolve uma autoridade pública e a violência contra a mulher. A sociedade tem o direito de exigir a prova que embasou qualquer desfecho. O silêncio institucional prolongado em relação a indefinição das imagens cria um ambiente fértil para rumores, interpretações conflitantes e especulações que poderiam ser evitadas com uma comunicação mais objetiva e eficiente.
Se houve agressão, os responsáveis devem responder pelos seus atos. Se a acusação não se sustenta, isso também deve ser demonstrado com transparência. O que não parece razoável é que um caso de tamanha repercussão continue com imagens ocultas cercado por perguntas básicas que, até agora, permanecem sem respostas públicas convincentes.
