No Rio, tem político trocando o sonho do Senado pela ansiedade de descobrir se a Papuda servirá vinhos de 1 milhão de dólares
Cláudio Castro desistiu oficialmente da candidatura ao Senado. Até aí, a política brasileira já transformou desistência em modalidade olímpica. O curioso é que, no caso dele, a retirada parece menos uma estratégia eleitoral e mais uma tentativa de ganhar tempo no relógio da Justiça. Sai o santinho, entra o habeas corpus. O comitê fecha mais cedo e o advogado passa a atender em horário estendido.
Nos bastidores, dizem que a candidatura virou “inviável”. Um termo elegante que Brasília inventou para evitar frases mais sinceras como “ninguém quer dividir palanque com operação da Polícia Federal”. O problema do poder é que ele costuma funcionar como perfume barato: no começo invade o ambiente inteiro, depois sobra apenas o cheiro constrangedor daquilo que tentaram esconder. Castro, que antes circulava como ativo político, inflava o peito para passar na avenida em dia de Carnaval, passou a ser tratado como bagagem suspeita no aeroporto partidário.
Há algo de tragicômico no Rio de Janeiro produzir governadores com a mesma velocidade com que produz enredos de escola de samba. O roteiro já parece conhecido: discurso emocionado, promessa de reconstrução moral, fotos sorrindo ao lado de autoridades e, alguns capítulos depois, o protagonista reaparece cercado de siglas policiais e notas oficiais escritas por assessorias em estado terminal. O cargo muda, o figurino muda, mas o terceiro ato continua sendo uma inevitável cadeia.
No fim, Castro desistiu do Senado talvez porque tenha percebido que o único “foro” realmente próximo era outro. A campanha eleitoral exigiria pedir votos nas ruas; a outra possibilidade exige apenas esperar a próxima batida na porta às seis da manhã (Toc, Toc). E convenhamos: no atual campeonato político fluminense, há quem já esteja confundindo plano de governo com plano de fuga, ou de prisão. Façam suas apostas…
