A violência de uma mulher completamente louca e perigosa virou meme, risadas coletivas, menos indignação real. Estamos todos condenados…
O mais assustador nesse caso não é apenas a brutalidade do ataque contra o cabeleireiro por causa de uma franja. O mais perturbador é a velocidade com que uma tentativa de homicídio começa a ser absorvida pelo imaginário popular como se fosse uma anedota grotesca de internet. As pessoas comentam com emojis, transformam o horror em piada pronta e seguem o dia como quem assiste a um vídeo absurdo entre um café e outro. Até poucos momentos atrás, eu também estava ‘meio assim’: ria antes mesmo de processar a gravidade da violência. Porque quando alguém esfaqueia uma pessoa por frustração estética e ainda reafirma o motivo sem demonstrar arrependimento, isso é muito perigoso.
Uma personalidade narcísica assustada: “se não me agradou, eu mato”. Na moral, gente… A franja vira apenas um detalhe. A cultura digital também é foda! A ideia de que qualquer desconforto pessoal merece reação extrema, espetáculo imediato e justificativa pública. O indivíduo deixa de sentir vergonha pelo excesso. Pelo contrário: ele performa o excesso. E aí surge um segundo problema igualmente grave: a celebrização do absurdo. É uma sociedade tão anestesiada pelo consumo de tragédias. A vítima sangra enquanto o algoritmo distribui.
O problema nunca foi “uma franja”. O problema é o que acontece quando a violência perde o peso e começa a disputar espaço com o humor. Porque no instante em que uma facada passa a ser tratada como curiosidade viral, o tecido social inteiro adoece um pouco mais. O verdadeiro terror desse episódio também é a naturalidade com que parte do público já consegue consumir essa brutalidade como entretenimento passageiro antes de deslizar o dedo para o próximo escândalo do dia.
