O elevador da Barbárie

A violência política não pode encontrar abrigo na impunidade

O vídeo da agressão contra um idoso dentro de um elevador em Cuiabá é a erosão da capacidade de convivência. Quando um cidadão decide substituir a palavra pelo punho, a divergência pelo espancamento e o debate pela intimidação física, o que está sendo atacado é a civilização.

Não existe causa política, ideológica ou pessoal capaz de justificar a transformação de um espaço residencial em cenário de brutalidade covarde. A democracia foi criada justamente para impedir que conflitos sejam resolvidos assim. O momento em que alguém conclui que tem o direito de agredir é o momento em que abandona o terreno da cidadania e ingressa no território da barbárie.

Quando olhei as imagens, chamou atenção a facilidade com que alguns agressores tentam reconstruir a própria imagem após a violência. Primeiro vem o ato; depois, a tentativa de fabricar explicações que amenizem sua gravidade. A recusa em assumir responsabilidade pelos próprios impulsos e a necessidade permanente de atribuir ao outro a culpa pelo comportamento inaceitável. Mas nenhuma narrativa posterior apaga aquilo que as imagens revelam.

Amigos, isso não foi mais uma ocorrência comum. Não foi. Se a brutalidade covarde e violenta alcança um idoso, em um ambiente fechado e sem possibilidade de defesa adequada, a resposta precisa ser firme. A sociedade tem o dever de enviar uma mensagem inequívoca: divergências se resolvem na esfera da lei, da palavra e das instituições. Mas quando escolhe os socos como argumento deve enfrentar também todas as consequências da sua escolha. A democracia não sobreviverá se a covardia passar a ser confundida com convicção de ideias.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

LEIA MAIS

A pesquisa pode ser censurada, mas o eleitor impossível de silenciar

A República dos aplicativos e o abandono dos idosos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *