Em busca de um momento mágico no reino da fantasia, confundiram influência internacional com fila para foto e atração turística.
Há quem viaje aos Estados Unidos para estudar, trabalhar, investir ou construir pontes institucionais. E há quem embarque com uma missão mais modesta: voltar para casa com uma fotografia capaz de sustentar meses de discurso nas redes sociais. O problema é quando a política externa vira aquele visitante que atravessa o parque inteiro apenas para registrar uma selfie ao lado do castelo. A viagem termina, a foto fica, mas a relevância continua desaparecida.
A cena lembra uma versão moderna de Mickey e os três patetas. O personagem principal acena para a multidão, enquanto seus inseparáveis companheiros tropeçam uns nos outros tentando provar que fazem parte do espetáculo. Correm de um lado para outro, distribuem sorrisos ensaiados, fazem poses calculadas e transformam qualquer foto em um acontecimento histórico. É uma coreografia tão exagerada que parece ter sido escrita por roteiristas especializados em pastelão.
O importante é parecer importante. É a política do “estive lá”. Uma espécie de turismo ideológico. Sei la, gente… Sobrou a impressão de que alguns personagens confundiram liderança com fandom. Em vez de representar um país, comportam-se como admiradores disputando espaço perto do ídolo. E assim a comédia segue seu curso: Mickey continua sendo Mickey, enquanto os três patetas se esforçam para convencer a plateia de que participaram do espetáculo principal. O problema é que, vistos de longe, parecem apenas figurantes tentando entrar na foto antes que o segurança peça para desocupar o enquadramento.

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