Uma “superprodução” cercada por milhões, divulgação grandiosa e promessas de cinema histórico e… FIM!
O cinema político brasileiro quase presenciou uma criatura inédita: o “Orange Horse”. Ele foi uma espécie mais sofisticada: nasceu com iluminação de herói, discurso de campeão, câmera lenta e trilha de vitória antecipada. Correu tanto nas propagandas que pareceu esquecer um pequeno detalhe: chegar ao destino. É o primeiro cavalo da história a conquistar fama internacional sem sair do estábulo.
A produção teve o roteiro clássico das grandes promessas que entram em “Frias”: “orçamento de respeito”, anúncio pomposo, imagens de divulgação e aquela atmosfera de “vem aí a obra que vai mudar tudo”. Só que existe uma etapa inconveniente chamada realidade. E a realidade, essa crítica de cinema extremamente mal-educada, insistiu em afirmar: “Ele não!” O trailer ganhou vida própria, virou protagonista, deu entrevista, recebeu aplausos dos seus apoiadores e fez carreira solo no Instagram indiano do Nikolas enquanto o filme foi para algum misterioso limbo.
A verba para super produção que não rolou era puro e translúcido escândalo de terno. O público, porém, tem uma mania inconveniente: curiosidade; demasiadamente humano. Ele não se satisfaz com cartaz bonito, promessa emocionante e uma apresentação digna de final de campeonato. Cinema não é concurso de apresentação de PowerPoint. Uma obra milionária precisa existir além da fotografia oficial e do discurso de lançamento.
O Orange Horse é um cavalo laranja. Não houve nenhum galope capaz de ultrapassar a fronteira entre o financiamento, a propaganda e a realidade. O cavalo laranja não desfilou, relinchou para as câmeras, levantou poeira e fez valer uma regra antiga que nenhum espetáculo consegue revogar: promessa não é obra, anúncio não é entrega. A pergunta mais cruel continua sendo a mais básica.
