STF e Polícia Federal preparam novas fases da Operação Unha e Carne contra deputados do Rio investigados por supostas ligações com milícias e facções
A notícia publicada pelo Metrópoles é daquelas que dispensam exageros. Segundo a coluna, o STF e a Polícia Federal preparam novas fases da Operação Unha e Carne contra deputados estaduais do Rio investigados por supostas ligações com milícias e facções criminosas. Diante desse cenário, a pergunta que já começa a circular com humor ácido nos bastidores é inevitável: depois da operação, vai sobrar quórum suficiente para abrir as sessões da Alerj? A coisa tá feia…
Existe, para os amantes da Ciência Política, um conceito chamado captura institucional, que ocorre quando interesses criminosos ou privados contaminam estruturas que deveriam servir exclusivamente ao interesse público. O problema não é apenas quem eventualmente venha a responder às investigações, mas a imagem devastadora deixada sobre a Assembleia Legislativa. O Parlamento carioca não é mais lembrado pelas leis que aprova, mas com a disputa de espaço nas páginas policiais.
O mais constrangedor é que a piada sobre falta de quórum não nasce do nada aqui na coluna, mas da repetição de escândalos. Em qualquer democracia consolidada, uma brincadeira dessas pareceria roteiro de sátira política. No Rio de Janeiro, infelizmente, é quase como previsão da pauta da semana. É o tipo de ironia que nos deixa preocupados pelo resto do dia.
Enquanto operações policiais se tornam personagens frequentes da política fluminense, quem perde é a democracia. Polícia Federal e STF cumprem suas funções constitucionais ao investigar suspeitas. Já a Alerj precisa urgentemente recuperar algo que nenhuma decisão judicial consegue devolver sozinha: a confiança da população.
