Com o pai preso por tentativa de golpe e o irmão condenado com o mesmo destino, Flávio só tem duas opções: se ganhar as eleições, salva a família; se perder, pode haver debandada para os EUA. Recolhimento do passaporte é urgente
Há momentos em que a política precisa ser observada sem paixão partidária e sem torcida organizada. O Brasil assiste a uma situação inédita: um ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, um filho enfrentando condenação por atos relacionados à pressão sobre instituições republicanas e um outro filho se apresentando como alternativa para ocupar a Presidência da República. A pergunta que surge não é ideológica. É lógica. Qual seria a prioridade de um eventual governo nascido sob tamanho peso familiar?
Em democracias maduras, o poder não pode servir como escudo particular. A Presidência da República existe para proteger a nação, não sobrenomes. Quando uma família inteira se vê cercada por processos, prisões, condenações e acusações graves ligadas ao Estado Democrático de Direito, torna-se inevitável o questionamento sobre os verdadeiros objetivos de uma candidatura. O país precisa discutir emprego, educação, segurança e desenvolvimento. Não pode correr o risco de transformar o Palácio do Planalto em uma extensão da defesa jurídica de um clã político.
Também chama atenção a repetição de comportamentos. Ao longo dos últimos anos, os brasileiros assistiram a uma escalada de confrontos contra instituições, ataques ao sistema democrático e tentativas de deslegitimar decisões judiciais. Quando os protagonistas dessas iniciativas pertencem ao mesmo núcleo familiar, cresce a percepção de que não se trata de episódios isolados, mas de uma cultura política compartilhada. E quando a história recente aponta para um padrão, a sociedade tem o direito de desconfiar do que ainda pode estar por vir.
Por isso, o debate sobre 2026 não deve girar em torno de sobrenomes famosos, mas de compromissos claros com a democracia. Quem deseja governar o Brasil precisa demonstrar que pretende servir ao país e não a interesses particulares. Caso contrário, a candidatura deixa de parecer um projeto nacional e passa a transmitir a imagem de uma tentativa desesperada de preservar poder, influência e proteção. Nenhuma democracia forte pode aceitar que o futuro de mais de duzentos milhões de brasileiros seja subordinado à sobrevivência política de uma única família.
