Ao conseguir instrumentalizar pressões estrangeiras contra o Brasil para criar cortina de fumaça com Vorcaro, família Bolsonaro ultrapassou novamente a fronteira e prejudicou de novo o País.
Existe um princípio elementar: governos, partidos e lideranças podem divergir sobre quase tudo, menos sobre a preservação da autonomia do próprio Estado. A democracia pressupõe conflito, oposição e alternância de poder. O que ela não pressupõe é a internacionalização deliberada de disputas domésticas com o objetivo de constranger instituições nacionais. Ver a família Bolsonaro, que tem o patriarca preso por tentativa de golpe de Estado, e agora seus filhos recorrerem impunemente a pressões externas para influenciar decisões internas, não vejo aqui adversários de um governo, observo inimigos de um país. Eles passam a tensionar a própria soberania como arma política.
A história mostra que nenhuma potência estrangeira intervém em outro país movida por altruísmo. Estados agem por interesse. Sempre. Quando esses traidores celebram ou estimulam medidas externas que possam atingir o Brasil institucionalmente, criam um precedente perigoso: a substituição do debate interno pela tutela indireta de agentes internacionais. O problema não está em manter relações diplomáticas ou buscar apoio político no exterior. O problema surge quando a fragilização do país passa a ser vista como um instrumento legítimo para derrotar adversários domésticos. É o que há de mais baixo pelo poder contra seu próprio País.
PCC e Comando Vermelho representam ameaças reais e devem ser enfrentados com firmeza pelo Estado brasileiro. Transformar esse combate em justificativa para deslocar centros de decisão para fora das fronteiras nacionais produz um paradoxo evidente: sob o argumento de fortalecer a segurança, corre-se o risco de enfraquecer a capacidade do próprio país de conduzir suas políticas públicas.
O aspecto mais preocupante dessa dinâmica é sua normalização. Esses irmãos Bolsonaro, esse vírus, tratam agora pressões internacionais, sanções ou constrangimentos externos como ferramentas legítimas de disputa eleitoral. O alvo passa a ser a credibilidade do Estado brasileiro. Não bastasse toda pressão que já haviam feito para o Brasil ser tarifado, gerando desempregos e desacelerando o mercado. Governos passam, presidentes passam, maiorias parlamentares passam. O país permanece. E toda vez que interesses partidários são colocados acima dos interesses nacionais, o que se produz não é uma demonstração de força política, mas um atestado de perigo máximo. Uma nação forte suporta divergências; uma nação enfraquecida transforma suas divergências em convite para que outros decidam por ela. E é isso que esses moleques estão fazendo.
