Com uma sequência histórica de prisões, afastamentos e impeachment, o Rio de Janeiro virou símbolo de um colapso político que parece não ter fim.
O Rio de Janeiro atingiu um estágio tão absurdo de degradação política que o choque já não está mais no governador acusado de corrupção, mas na engrenagem que permite que tudo aconteça repetidamente. O estado parece preso a um ciclo infinito de escândalos bilionários, operações policiais, prisões e discursos indignados que nunca resultam em uma mudança estrutural real. Trocam-se os nomes, os slogans de campanha, mas o roteiro permanece assustadoramente igual. A pergunta deixou de ser “quem roubou?” para se tornar muito mais grave: de novo? Quem controla quem controla?
A sequência de casos é tão impressionante que beira o inacreditável. Anthony Garotinho foi preso. Rosinha Garotinho também acabou presa. Sérgio Cabral virou símbolo internacional da corrupção após as descobertas de esquemas milionários. Luiz Fernando Pezão foi preso. E Wilson Witzel sofreu impeachment em meio a denúncias devastadoras. Agora vem o Castro já arrumando as malas para a prisão. Não existe democracia saudável no mundo que normalize uma sequência dessa magnitude sem admitir que há uma falência sistêmica acontecendo diante dos olhos da população.
O mais revoltante é perceber que o problema não parece estar apenas nos indivíduos, mas na facilidade com que o poder público fluminense aparenta ser capturado. Como bilhões desaparecem durante anos sem que mecanismos internos consigam impedir? Onde estão os controles administrativos, os órgãos fiscalizadores, os freios institucionais e a vigilância política? Porque quando os desvios só aparecem depois de operações espetaculares da polícia, significa que o sistema preventivo inteiro já fracassou. O Rio passou da fase da corrupção episódica. O estado hoje convive com a sensação permanente de vulnerabilidade institucional.
Tudo me assusta: a impressão de que nunca é o último escândalo. O Rio de Janeiro já entrou para a história política brasileira pelo número inacreditável de governadores presos, afastados, investigados ou impeachmentados. Isso não é estatística comum. E o eleitor tema em não perceber. A sensação que fica para a população é devastadora: a de que o estado não vive entre uma crise e outra, mas dentro de uma crise contínua, sempre na iminência de descobrir quem será o próximo governador que será preso.
