Depois que o escândalo do estupro coletivo bateu à porta, teve pai que atacou a vítima, desapareceu, e agora voltou convenientemente em surto
Há certos roteiros que parecem se repetir com uma precisão quase matemática na vida brasileira. Acontece um escândalo grave, as manchetes explodem, o constrangimento cresce e, de repente, surge um personagem que desaparece do mapa. Dias depois, reaparece fragilizado, abalado, hospitalizado. Foi exatamente o que aconteceu agora com José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário do governo de Cláudio Castro, que reapareceu internado após um suposto “surto” ligado ao caso envolvendo seu filho, Vitor Hugo Oliveira Simonin, acusado de estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana. A sequência dos fatos é tão previsível que chega a parecer um velho manual de crise sendo seguido à risca.
O curioso é que, nesses momentos, o desaparecimento raramente acontece antes da pressão pública. Ele surge justamente quando a situação se torna insustentável diante da opinião pública. A vergonha social cresce, a cobrança aumenta, e então vem a retirada estratégica: silêncio, sumiço e, posteriormente, uma reaparição cercada por fragilidade física ou emocional. É quase como se o corpo dissesse aquilo que a pessoa não consegue, ou não quer enfrentar diretamente: o peso esmagador de uma realidade que se tornou impossível de administrar.
Esse tipo de reação é tão comum que virou praticamente um clássico das crises públicas. Diante de um choque moral profundo, algumas pessoas simplesmente não encaram a tempestade; procuram abrigo. O problema é que, do lado de fora, a sociedade continua olhando e tentando entender o que aconteceu. E quando a retirada parece mais uma forma de evitar o enfrentamento do que um colapso genuíno, o efeito produzido é o oposto do esperado: em vez de empatia, nasce o ceticismo.
Na boa… O que resta é uma sensação amarga de déjà-vu. O escândalo estoura, o silêncio aparece, o personagem some e depois retorna cercado de explicações dramáticas. Não é a primeira vez que vemos essa sequência e dificilmente será a última. A diferença é que, em tempos de memória digital e vigilância pública permanente, esse tipo de roteiro já não desperta apenas compaixão: desperta também a suspeita de que, diante da tempestade, alguns preferem desaparecer não por fragilidade, mas porque sabem exatamente o tamanho do vendaval que ajudaram a criar.
