Contra o fogo, levante estudantil já é o maior após a redemocratização

Quando queimam laboratórios e décadas de pesquisa, descobrem tarde demais que o conhecimento não cabe nas chamas. Ele encontra abrigo numa juventude que jamais recuará diante do terrorismo

Incendiar uma universidade é muito mais do que destruir concreto, equipamentos ou documentos. É uma tentativa desesperada de intimidar a inteligência, de convencer uma geração de que pensar custa caro demais. Mas toda vez que o extremismo resolveu declarar guerra ao conhecimento, encontrou pela frente uma força que nunca conseguiu derrotar: estudantes. Porque livros podem virar cinzas, laboratórios podem ser reduzidos a escombros, mas a curiosidade humana jamais aceita ordens para desaparecer.

O que nasceu depois daquele ataque não foi apenas indignação. Foi um levante. Talvez o maior movimento estudantil visto pelo Brasil desde a redemocratização. Milhões de jovens e estudantes entenderam que não se tratava apenas de defender uma universidade, mas de proteger a própria ideia de futuro. Quem escolhe atacar a ciência revela medo daquilo que ela produz: pessoas capazes de fazer perguntas, de confrontar mentiras e de impedir que a violência seja transformada em projeto político.

Há quem imagine que o medo paralisa. Mas ele também desperta. Quando a intolerância tenta apagar a luz, acaba ensinando uma geração inteira a carregar lanternas. Cada mochila colocada nas costas, cada caderno aberto em uma sala de aula, cada pesquisa retomada depois da destruição representa uma resposta mais poderosa do que qualquer discurso de ódio. O conhecimento nunca precisou gritar para vencer. Sempre bastou existir.

O segundo turno também será decidido por essa escolha. Não apenas entre candidatos, mas entre dois caminhos de país. De um lado, a fumaça que tenta transformar a ignorância em método. Do outro, a juventude que caminha com livros, ciência e esperança nas costas. A história mostra que o extremismo pode incendiar prédios, mas nunca conseguiu incendiar o futuro. Porque o futuro sempre encontra abrigo onde houver um estudante disposto a aprender.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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