Algumas experiências não devem ser precificadas pelo prazer do cliente, mas pelo sacrifício insalubre da ‘moça do job’
Existe uma categoria de situação em que a calculadora simplesmente desiste. Não porque o valor seja alto, mas porque o sacrifício envolvido exige uma planilha completa de danos emocionais. É aquela velha lógica do absurdo: algumas experiências não são avaliadas pelo prazer, mas pelo tamanho do esforço necessário para sair delas tentando manter a dignidade intacta. Na fictícia República dos Excessos, certos encontros deveriam vir acompanhados de adicional de insalubridade emocional, vale-terapia e indenização por lembrança indesejada.
Dez mil reais? Muito pouco. Dependendo do ministro safadinho envolvido nessa história, a tabela teria que começar na casa dos milhões. Um milhão pela experiência, outro pela tentativa de apagar a cena da memória e mais alguns recursos reservados para reconstruir a autoestima depois de uma noite que renderia a lembrança de uma ‘visão do inferno’. Afinal, há situações em que o verdadeiro luxo não é viver a experiência, mas conseguir sobreviver ao relato dela. Fazer programa para um suposto ministro, com certeza abre esse precedente. A reputação emocional da “moça do job, nesse ambiente, certamente vale mais do que qualquer cifra.
No fim das contas, o valor não deveria ser calculado pelo tempo da experiência, mas pelo tamanho do esforço para esquecer depois. Dez mil reais pareceriam apenas a entrada de um pacote completo: tratamento psicológico, férias para recuperar a paz de espírito e, quem sabe, uma sessão de hipnose para apagar a lembrança da memória. Porque algumas histórias, na ficção ou na realidade, não deveriam ser remuneradas pelo prazer que proporcionam, mas pelo sacrifício que exigem para serem suportadas.
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