Nos corredores de Brasília, cresce a perplexidade diante da ausência de medidas investigativas contra aquele que é apontado, por diferentes interlocutores políticos, como a principal ponte de influência de Daniel Vorcaro junto ao poder.
Há uma inquietação que já deixou de ser apenas um comentário reservado para se transformar em uma pergunta recorrente nos corredores de Brasília: como alguém descrito por diversos interlocutores do meio político, com mensagens e prints explícitos, como a principal ponte de influência de Daniel Vorcaro junto a autoridades e agentes públicos segue completamente fora do alcance de operações relativas a buscas e apreensões? Enquanto nomes periféricos passaram a ser alvo de buscas e apreensões e outras medidas, a figura apontada por muitos como o principal articulador permanece, até aqui, sem qualquer ação dessa natureza.
Essa disparidade ganhou força essa manhã em Brasília. Quando personagens considerados secundários passam a responder às consequências de uma investigação, mas aquele que, segundo relatos e provas recorrentes, teria exercido o papel mais relevante na construção de pontes políticas permanece intocado, instala-se a impressão de que há pesos diferentes na aplicação da mesma régua. Ainda que uma investigação possa legitimamente adotar estratégias e cronogramas próprios, a ausência de explicações públicas sobre ‘o blindado’, como está sendo chamado pelos corredores, abre espaço para especulações legítimas sobre proteção institucional.
As hipóteses levantadas nos bastidores são muitas. Há quem atribua essa aparente blindagem a particularidades da vida pessoal desse personagem. Outros acreditam que existam fatores ainda desconhecidos do público. Independentemente da origem dessas conjecturas, o fato é que elas prosperam justamente porque o contraste entre a relevância que lhe é atribuída nos bastidores e a inexistência, até o momento, de medidas ostensivas tornou-se um tema recorrente entre parlamentares, assessores e operadores políticos.
A Polícia Federal e o Ministério Público não são obrigados a revelar estratégias de investigação, nem a agir conforme a expectativa pública. Mas, quando a percepção disseminada nos corredores de Brasília é a de que o personagem apontado como o maior operador de influência de um caso permanece completamente blindado, enquanto outros já enfrentam operações, a dúvida deixa de atingir apenas um indivíduo. Ela alcança a própria imparcialidade do sistema. Em uma democracia, a lei precisa ser vista como igualmente capaz de alcançar qualquer pessoa, quando houver elementos legais para isso, sem exceções aparentes e sem a impressão de que alguns nomes simplesmente pertencem a uma categoria inalcançável.
