Na tentativa de transformar um número em inimigo, sobrou um detalhe impossível de esconder: o próprio nome que o tornou famoso e consagrado em todo Brasil tem exatamente 13 letras.
Há quem fuja de uma ideia. Há quem fuja de uma pessoa. E há quem decida fugir de um número. Ao anunciar um show marcado para o dia 13 como se fosse “12+1”, Zezé Di Camargo acabou oferecendo um raro espetáculo de como a política, levada ao extremo, pode sequestrar até a matemática. O curioso é que, nessa corrida contra o 13, escapou um detalhe quase cruel: “Zezé Di Camargo” tem exatamente 13 letras. O número que tentaram esconder é o mesmo que estampou discos, ingressos, outdoors e fez nascer uma das carreiras mais populares da música sertaneja.
Existe um ponto em que a convicção deixa de organizar o pensamento e passa a reorganizar a realidade. É ali que nasce o comportamento quase supersticioso: o sujeito acredita que trocar o nome do número muda o próprio número. Como se a aritmética pudesse ser convencida por um marqueteiro. Chamar 13 de “12+1” produz exatamente o mesmo resultado que chamar chuva de “água em queda”: continua sendo chuva. A realidade tem o péssimo hábito de ignorar preferências ideológicas.
O episódio também revela uma curiosa contradição humana. Quanto mais alguém tenta apagar um símbolo, mais acaba iluminando esse símbolo. Se ninguém tivesse inventado o “12+1”, provavelmente quase ninguém teria parado para pensar na data. Mas bastou esconder o 13 para que o país inteiro passasse a falar… do 13. É uma ironia clássica: a tentativa de censurar um detalhe acaba transformando esse detalhe no protagonista da história.
No fim, o maior deboche veio da própria lógica. O número que foi expulso do cartaz permaneceu, silenciosamente, no nome que consagrou o artista. É como tentar cancelar a gravidade pulando mais alto. Há batalhas que a política consegue vencer. Contra a matemática, porém, o placar continua implacável: 12+1 ainda é 13. E Zezé Di Camargo continua tendo 13 letras, gostem ou não do número.
