O destempero de Bolsonaro revela apenas 1% do que foi sua reação ao perder as eleições.
A entrevista de Jair Bolsonaro à CNN, na qual perdeu completamente o controle é um retrato fiel, embora ainda suavizado, do seu temperamento autoritário. Gritar, interromper, insultar e fugir da responsabilidade são práticas conhecidas de quem nunca aceitou ser contestado. Mas o que vimos na televisão é apenas uma amostra diluída do que se passou nos bastidores quando ele recebeu a notícia de sua derrota nas urnas. Quem conhece Brasília sabe: o surto foi muito maior.
Fontes próximas e investigações em andamento confirmam que, nos dias seguintes à derrota, Bolsonaro agiu com fúria, ressentimento e uma clara disposição golpista. Ignorou os protocolos democráticos, trancou-se em silêncio estratégico quando dizia estar viajando, articulou com militares e tentou de tudo para anular o resultado legítimo das eleições. Sua incapacidade de lidar com a realidade, aliada ao desejo de poder absoluto, revelou um lado que não aceita regras, instituições nem civilidade. Um lado perigoso, antirrepublicano e incapaz de convivência democrática.
A entrevista foi só uma simulação do que ele realmente é, e ainda assim, assustadora. Bolsonaro não tolera ser confrontado por jornalistas, não respeita o contraditório, não sabe ouvir e não admite perder. Por isso, é um erro grave, e quase ingênuo, imaginar que é possível algum tipo de “diálogo institucional” com alguém assim. Diálogo exige maturidade, respeito, disposição para ouvir. Nada disso existe ali. Existe apenas confronto, ameaça e instabilidade. Até nuclear, segundo Eduardo, “ainda”.
O que Bolsonaro mostrou na CNN é o que sempre foi: um líder autoritário e agressivo que ainda se faz de vítima. O Brasil precisa parar de fingir surpresa com esses destemperos. E diante de gente assim, não se abre mesa de conversa. Se aplica a lei. Com firmeza, com coragem e, principalmente, com urgência.

Parabéns. Concordo com todo o conteúdo. Sucesso para vc.
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