A violência escondida no ‘humor’

Leo Lins merece a prisão. Não por censura, mas por justiça

A piada que Leo Lins fez sobre o câncer de Preta Gil não é apenas de mau gosto. É um ataque. Um ato violento travestido de humor. Dizer que, agora com a doença, ela “pelo menos vai emagrecer” não é uma tentativa de fazer rir: é uma tentativa de ferir, de humilhar, de transformar o sofrimento alheio em escada para sua própria notoriedade doentia. Esse tipo de fala não escapa da crítica moral e muito menos da responsabilização jurídica. Não é liberdade de expressão. É escárnio, é crueldade, é crime.

Não há mais como fingir surpresa ou dar o benefício da dúvida. Leo Lins não tropeça em limites: ele os destrói de propósito. A cada “piada” que lança, mira os mais vulneráveis. Ataca crianças com deficiência, pessoas negras, vítimas de tragédias e, agora, uma mulher negra em tratamento contra um câncer devastador. Sua carreira não é construída em cima do humor, mas da dor. Ele não busca risos, ele quer reações. Quer indignação, quer ódio, quer os holofotes que vêm quando alguém ultrapassa o inaceitável. Só que dessa vez, foi longe demais até para os padrões grotescos que ele mesmo criou.

É inaceitável que uma figura pública continue circulando impune, protegida por uma bolha de seguidores que confundem crueldade com coragem. Não há coragem alguma em zombar de quem já sofre. O Brasil está em choque, não apenas pelo conteúdo do que foi dito, mas pela frieza de quem diz. Leo Lins mexeu com Preta Gil, mas atingiu todas as pessoas que têm ou já tiveram um familiar com câncer. Ele zombou da fragilidade de alguém que luta diariamente pela vida. E isso não se apaga. Não se suaviza. Não se justifica.

Quem ainda tentava defender Leo Lins sob o argumento da liberdade artística, agora deve silenciar. Porque não há arte na humilhação, não há inteligência na crueldade, não há graça no sofrimento. Ele não é vítima de censura: é reincidente em violência verbal. E essa violência precisa ser tratada com a seriedade que merece. O tempo das advertências acabou. O que ele faz tem nome e código penal. E precisa, com urgência, de consequências.

Chegamos ao ponto em que não há mais o que discutir. Leo Lins não pode continuar usando o palco como arma. Não pode seguir atacando quem já está em dor. E se ainda existia alguém em dúvida sobre o que ele representa, agora tudo está claro: não é humor. É agressão. E por isso, por tudo isso, Leo Lins merece estar atrás das grades. Não por censura, mas por justiça.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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