Na contramão da exaustão glamourosa, cresce entre artistas e influenciadores o desejo por uma rotina com mais prazer, descanso e espontaneidade nas redes sociais
Não é que a fama tenha cansado: é que agora ela precisa vir com uma rede, uma brisa e, de preferência, um pôr do sol. E antes que você me aponte o dedo, não! Não é papo de carioca, é a tal “soft life”, ou “vida suave”, que tem conquistado não só jovens cansados do LinkedIn como também celebridades que trocaram a performance do sucesso por um café coado sem pressa. O tempo das agendas lotadas e dos stories às três da manhã dizendo “gratidão por mais um show” está virando meme. A nova tendência é o silêncio confortável e a felicidade sem legenda e, quem sabe, uma colcha amarrotada de manhã sem o rosto de ninguém.
Nessa nova lógica, artistas que antes batiam ponto em três programas de TV por dia agora reaparecem em fotos descalços, rodeados por cachorros e vasos de samambaia. A vida deixou de ser uma sequência de entregas e se tornou uma dança do tempo livre. E vamos combinar: não é que a vida ficou menos produtiva: ela apenas deixou de girar em torno de cifras e começou a valorizar o tempo. Como diz Fátima Bernardes: ‘cada minuto importa’. O luxo agora é estar em paz. E com tempo.
Esse movimento vem como uma resposta direta à cultura do hustle, onde ser produtivo até dormir era símbolo de prestígio. Aquela exaustão quase romântica, onde a pessoa dizia “não tenho tempo nem pra respirar” com brilho nos olhos, virou motivo de intervenção. Agora, o novo status é dizer “preciso ver com calma, tenho meu dia de faxina energética na terça”. E ninguém ri. Ou melhor: todo mundo ri e sonha com isso.
A soft life não é preguiça disfarçada: é sobrevivência emocional. É o grito silencioso de quem já entendeu que sucesso sem saúde vira manchete triste. Não à toa, cantores têm pausado turnês, influenciadores desaparecido por semanas e até atores renomados estão recusando projetos como Matheus e Cauã, que decidiram parar pelo menos dois anos com os shows. O que antes seria lido como decadência, hoje é a verdadeira vitória. O descanso virou revolução.
E se ainda soa absurdo querer menos correria num mundo que aplaude quem sofre de agenda, talvez estejamos apenas atrasados na percepção. Afinal, enquanto alguns lutam por reconhecimento com o celular colado no rosto, outros estão ali, em algum canto ensolarado, com uma xícara de chá, celebrando a mais ambiciosa das conquistas: a leveza.
