Quem controla quem controla?

Ao insistir em permanecer no caso do Banco Master mesmo sob suspeitas apontadas pela Polícia Federal, Dias Toffoli transforma o caso em um teste público de limites, e a sociedade não é obrigada a assistir em silêncio. Povo deve ir para as ruas!

A crise que envolve Dias Toffoli e sua resistência em deixar o caso relacionado ao Banco Master ultrapassa o campo jurídico e adentra o terreno sensível. Quando a Polícia Federal aponta pagamentos milionários que orbitam o entorno do processo, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a ser moral e político.

A permanência de um ministro em um caso sob tais circunstâncias desafia não apenas o bom senso, mas a pedagogia institucional que o próprio Supremo Tribunal Federal deveria exercer. A Justiça, mais do que ser imparcial, precisa parecer imparcial. A insistência em permanecer, quando pairam suspeitas que tangenciam o caso, produz um ruído ensurdecedor. E ruídos institucionais, em democracias tensionadas, rapidamente se transformam em descrédito coletivo.

É precisamente nesse ponto que a sociedade civil precisa amadurecer sua resposta. Mobilização não é sinônimo de desordem; é expressão constitucional. Ir às ruas, de maneira pacífica, organizada e consciente, é lembrar às autoridades que o poder emana do povo, não como ameaça, mas como fundamento republicano. O silêncio diante de situações que parecem ultrapassar limites também é uma forma de consentimento. E consentir com tantas suspeitas já é fragilizar a própria democracia.

Não se trata de personalizar o embate, mas de defender um princípio: nenhum cargo está acima da confiança pública. Se um magistrado afirma que não deixará o caso, a resposta legítima da sociedade é exigir transparência e coerência. A rua, quando ocupada com civilidade e clareza de propósito, não é palco de radicalismo, mas de responsabilidade histórica. O Brasil já atravessou muitos imbróglios institucionais; o que não pode atravessar é a linha que separa autoridade de arrogância. A situação já chegou ao limite!

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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