Por que a ciência já nos obriga a admitir que não somos o centro, muito menos o ápice, de nada!
Não é surpresa para a ciência séria que a humanidade não ocupe qualquer trono cósmico. Desde que Nicolau Copérnico deslocou a Terra do centro do universo no século XVI, sucessivas revoluções científicas vêm ferindo o narcisismo humano. A astrobiologia contemporânea trabalha com estimativas conservadoras de centenas de bilhões de planetas apenas na nossa galáxia, a Via Láctea, muitos deles situados em zonas habitáveis. Com base nos dados do telescópio espacial James Webb Space Telescope e de missões anteriores como o Kepler Space Telescope, já identificamos milhares de exoplanetas. Estatisticamente, sustentar que estamos sozinhos exige mais fé do que ciência agora.
A chamada Equação de Drake, por exemplo, proposta por Frank Drake em 1961, nunca foi uma fantasia ufológica, mas um exercício probabilístico sobre a existência de civilizações tecnológicas. Embora seus parâmetros ainda sejam debatidos, os avanços na detecção de moléculas orgânicas complexas em nuvens interestelares e em atmosferas planetárias reforçam que os ingredientes da vida são comuns no cosmos. A química da vida não é um milagre terrestre; é uma consequência natural das leis físico-químicas que regem todo universo. Se a vida emerge com relativa facilidade onde há condições mínimas, a hipótese da exclusividade humana se torna praticamente impossível. Seria arrogância demais.
Mais desconfortável ainda é a possibilidade de que não sejamos apenas acompanhados, mas intelectualmente inferiores. A própria história evolutiva demonstra que inteligência não é um destino final, mas uma adaptação transitória. Nossa espécie existe há cerca de 300 mil anos, um sopro diante dos 13,8 bilhões de anos do universo. Civilizações que tenham surgido milhões de anos antes da nossa teriam uma vantagem tecnológica praticamente inimaginável. Para uma mente milhões de anos à frente, nossa ciência atual poderia parecer tão rudimentar quanto a fabricação de lascas de pedra.
Descer do pedestal não é derrotismo; é maturidade científica. A cosmologia, a biologia evolutiva e a estatística convergem para uma conclusão incômoda: a mediocridade cósmica em que estamos situados. Preparar-se para isso não significa aguardar discos voadores, mas abandonar a arrogância. Não estamos no centro, não somos a medida de todas as coisas e, muito provavelmente, não somos o topo da escala. Mas… Fique tranquilo: A ciência não nos humilha, ela nos posiciona. E a posição, ao que tudo indica, é modesta. Muito modesta… Pra lá de modesta! E põe modesta nisso…
