Uma água-viva incomum aparece na praia e revela como reagimos ao que foge do habitual.
Uma água-viva rara apareceu numa praia e rapidamente virou assunto. Fotos, vídeos, curiosidade e medo. O que até ontem era apenas paisagem virou ameaça potencial. O mar, símbolo do inconsciente coletivo, devolveu à areia algo que não estava catalogado no imaginário cotidiano.
O desconhecido sempre provoca duas reações primitivas: fascínio e repulsa. A psicanálise descreve isso como ambivalência, o mesmo objeto que atrai também assusta. O estranho rompe a ilusão de previsibilidade e nos lembra que a natureza não precisa da nossa autorização para existir.
Curiosamente, o fenômeno em si é menos impactante do que a narrativa construída ao redor dele. O viral nasce do espanto compartilhado. Precisamos que o outro também se surpreenda para validar nosso susto.
No fundo, talvez a água-viva não seja o acontecimento mais importante. O mais revelador é a nossa reação coletiva: diante do inusitado, ainda somos crianças perguntando se é perigoso tocar.
