# https://colunadolobianco.com.br ## Posts - [O tempo que não volta...](https://colunadolobianco.com.br/o-tempo-que-nao-volta/): Havia um local onde foram confiadas as chaves do celeiro e o calendário das colheitas. Não lhe pediram milagres, apenas constância: abrir o celeiro no tempo certo e permitir que cada um voltasse à sua casa quando o sol baixasse. Mas havia o senhor do tempo. O “amanhã”. Alguns vinham de longe. Alguns atravessavam desertos de saudade, outros deixavam rios e cachoeiras para trás. Era a espera do ano e o descanso depois da estação. Porém, quando chegou o tempo da festa, não houve mesa posta. O pão não veio, o descanso foi suspenso, e o que era para ser […] - [Eduardo Bolsonaro: cassação tardia, impunidade antecipada](https://colunadolobianco.com.br/eduardo-bolsonaro-cassacao-tardia-impunidade-antecipada/): A decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados de cassar o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por excesso de faltas às sessões legislativas é, à primeira vista, um gesto de sanção institucional e de respeito às regras regimentais internas da Casa. O artigo 55 da Constituição Federal é claro ao prever a perda do mandato de parlamentar que faltar a mais de um terço das sessões sem justificativa adequada e o deputado ultrapassou esse limite de forma flagrante enquanto residia nos Estados Unidos, longe do exercício efetivo de suas funções públicas.  No entanto, do ponto de vista do direito […] - [O apresentador e a tolerância de ocasião](https://colunadolobianco.com.br/o-apresentador-e-tolerancia-de-ocasiao/): Há algo profundamente desonesto quando uma voz que passou meses alimentando o conflito político e cancelamento de artistas resolve, subitamente, vestir a fantasia da moderação. O apelo à tolerância, quando feito fora de contexto, pode soar nobre; mas quando parte de quem construiu audiência à base da agressão nos últimos meses, ele não é gesto democrático: é estratégia de sobrevivência. Isso tem nome: oportunismo discursivo. Não se trata de uma conversão ética, mas de um reposicionamento tático diante da perda de controle da narrativa e iminência de perda de audiência. O problema central não é o pedido abstrato de tolerância, […] - [A derrocada final da ilusão 'bolsoamericanista'](https://colunadolobianco.com.br/a-derrocada-final-da-ilusao-bolsoamericanista/): A recente decisão de Donald Trump ao revogar a chamada “lei magnetística” evocada e celebrada por aliados de extrema direita no Brasil contra Alexandre de Moraes marca o ponto final de uma farsa política que se arrastou por anos. Ainda que o fato tenha sido explorado como amparo jurídico imaginário para narrativas golpistas, sua retirada pelo próprio presidente americano destrói o último pilar simbólico de um movimento que se alimentou de teorias conspiratórias e jamais encontrou respaldo institucional. É um gesto que, no plano político, equivale a desligar a máquina de um delírio coletivo. Este último episódio demonstra a fragilidade […] - [ABI parte para o confronto jurídico contra Hugo Motta após violência contra a imprensa no Congresso](https://colunadolobianco.com.br/abi-parte-para-o-confronto-hugo-motta/): A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) decidiu romper qualquer tolerância contra os atentados democráticos contra a Imprensa e partiu para uma ofensiva jurídica dura contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em razão das violências cometidas pela Polícia Legislativa durante a sessão da última terça-feira (9). Jornalistas, parlamentares e servidores foram alvo de agressões em pleno coração da democracia brasileira, num episódio que a ABI classifica como atentado direto à liberdade de imprensa e ao direito constitucional de informar. Por meio do escritório Nicodemos Advogados Associados, a entidade vai protocolar uma representação na Procuradoria-Geral da República por crime […] - [Corte de sinal, agressão à imprensa e a incapacidade de Hugo Motta de presidir a Câmara.](https://colunadolobianco.com.br/corte-de-sinal-agressao-a-imprensa/):  Hoje testemunhamos um dos ataques mais graves à liberdade de imprensa desde o retorno da redemocratização no Brasil. A Mesa da Câmara dos Deputados interrompeu deliberadamente o sinal da TV Câmara, proibiu filmagens e impediu jornalistas de registrar os acontecimentos no plenário. Essa não é uma “falha técnica”: é censura institucional, puro e simples. Ao silenciar quem presencia os fatos, ao vedar o acesso público à informação, a Câmara sequestrou a verdade. Foi desespero autoritário. O parlamentar que preside, quando decide que pode controlar o fluxo de informação, ele rompe com os fundamentos do regime representativo. A transparência não é […] - [O assassino confesso que levou o corpo para delegacia e foi liberado pelo delegado pela porta da frente](https://colunadolobianco.com.br/o-assassino-que-levou-o-corpo-para-delegacia-e-foi-liberado/): O que choca não é apenas a brutalidade do crime, mas a naturalização da falha institucional que se seguiu a ele. Em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, um corpo foi levado a uma delegacia pelo próprio autor do assassinato, houve confissão formal e, ainda assim, a liberação ocorreu pela porta da frente. O episódio não afronta apenas o senso comum: ele tensiona os próprios fundamentos do Estado de Direito, que existe precisamente para impedir que a barbárie seja substituída por decisões condescendentes. A prisão em flagrante, nesse contexto, não é um capricho punitivo: é um instrumento de proteção […] - [Banco Master: imparcialidade sob custódia no STF](https://colunadolobianco.com.br/banco-master-imparcialidade-sob-custodia-no-stf/): A República não se sustenta apenas sobre decisões juridicamente válidas, mas sobre a percepção pública de imparcialidade. Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal concentra em suas mãos uma investigação sensível envolvendo um banco cercado por suspeições públicas amplamente noticiadas, a questão deixa de ser apenas processual e passa a ser essencialmente política e institucional. Não se trata de julgar pessoas, mas de analisar estruturas de poder, arranjos decisórios e seus efeitos sobre a credibilidade do sistema de Justiça. Não adianta a gente disfarçar. O problema agora é a confiança. Democracias vivem de distanciamentos claros entre julgador e investigados. Quando […] - [A troco de tudo e de todos: a ambição de poder familiar que a Direita insiste em não ver](https://colunadolobianco.com.br/a-troco-de-tudo-e-de-todos-bolsonaro/): A candidatura de Flávio Bolsonaro é mais do que uma movimentação eleitoral: é um diagnóstico cristalino, quase didático, do que a família Bolsonaro deseja construir no Brasil. Refletindo essa manhã sobre o tema a partir das manchetes dos jornais, encontrei um vocabulário exato para isso: personalismo, patrimonialismo e feudalização da política. Em regimes personalistas, o líder não representa uma ideia; ele é a ideia. O projeto não é programático, é biográfico. Por isso, quem insiste em tratar o bolsonarismo como corrente de direita com projeto nacional está cometendo um erro analítico grave: o bolsonarismo não é uma força conservadora: é […] - [Poder de Alcolumbre fecha os ouvidos para o Brasil](https://colunadolobianco.com.br/poder-de-alcolumbre-fecha-os-ouvidos-para-o-brasil/): O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, passou da ameaça velada à confissão explícita: depois de intimidar os brasileiros que usam a hashtag “congresso inimigo do povo”, decidiu trancar os comentários do seu perfil no Instagram. A cena é quase uma metáfora pedagógica sobre o poder no Brasil: um líder que deveria ampliar canais de escuta escolhe fechá-los; alguém que deveria lidar com discordância pública prefere silenciá-la. A reação é reveladora. A política, afinal, não é feita apenas de leis, mas de pulsões, medos e vaidades. E Alcolumbre deixou que todas elas falassem mais alto do que seu cargo. O gesto de […] - [A ousadia e o medo de Alcolumbre de querer vigiar e investigar hashtags é tão patético quanto o próprio Congresso](https://colunadolobianco.com.br/a-ousadia-e-o-medo-de-alcolumbre/): Davi Alcolumbre decidiu, em plena sessão do Senado, acionar a Polícia Legislativa para investigar e expor cidadãos que ousaram escrever a hashtag “congresso inimigo do povo”. A cena é quase poética, se poesia tivesse sido inventada para descrever atentados ao bom senso. No instante em que ouvi a declaração, tive a impressão de que tínhamos voltado algumas décadas no tempo, para aquela parte da história em que autoridades confundiam opinião pública com ameaça de Estado. Mas não: era 2025, era o Senado brasileiro, e o presidente da Casa parecia sinceramente crente de que hashtags são armas biológicas. O curioso, e aqui […] - [O sigilo 'Master'](https://colunadolobianco.com.br/o-sigilo-master/): A decisão de impor sigilo às investigações relacionadas ao Banco Master cria um paradoxo institucional difícil de sustentar. Em qualquer democracia madura, o Supremo Tribunal Federal representa o ápice da transparência e do controle público, justamente porque seu papel não é apenas julgar, mas também simbolizar a integridade do Estado. Quando um caso que envolve potencial conexão com políticos, autoridades, esposas de autoridades, e é automaticamente colocado atrás de cortinas, a mensagem recebida pela população não é a de prudência jurídica: é a de autopreservação sistêmica. A legitimidade das instituições superiores depende de transparência. O sigilo, quando usado como ferramenta […] - [O dia em que o Financial Times arrancou a máscara de Eduardo Bolsonaro pro mundo](https://colunadolobianco.com.br/financial-times-arrancou-a-mascara-de-eduardo/): O Financial Times, um dos jornais mais respeitados e influentes do planeta, foi cirúrgico e implacável ao analisar Eduardo Bolsonaro. Nada de eufemismos, nada de amenizar impacto: o jornal britânico tratou de expor, com precisão quase cirúrgica, o tamanho real do vexame internacional protagonizado pelo filho do ex-presidente. E o diagnóstico, embora devastador, não surpreende ninguém que acompanhe sua trajetória: Eduardo fracassou. Fracassou como peça política, incapaz de construir carreira própria; fracassou como articulador internacional, reduzido a figura folclórica; fracassou na fantasia de herdeiro inevitável do bolsonarismo. A análise do Financial Times desmonta, com a frieza que só a imprensa britânica domina, a […] - [Homofobia em campo: a camisa rosa que revelou a mente cinza e podre de Abel](https://colunadolobianco.com.br/homofobia-em-campo-a-camisa-rosa-que-revelou-a-mente-cinza-e-podre-de-abel/): A fala de Abel Braga sobre “camisa rosa” e “time de veado” não é um deslize isolado nem uma piada infeliz arrancada de um contexto descontraído. Trata-se de uma manifestação que viola princípios básicos previstos no ordenamento jurídico brasileiro, sobretudo o respeito à dignidade da pessoa humana, fundamento da Constituição Federal. Discursos homofóbicos cristalinos e sólidos que reforçam violência e preconceito, especialmente quando proferidos por uma figura de autoridade. É o show de discriminação simbólica irresponsável no esporte que reforça ambientes hostis. O técnico não apenas reproduziu um preconceito estrutural: ele o legitimou a partir da hierarquia que ocupa. A […] - [A porta entreaberta da Justiça para os bilionários](https://colunadolobianco.com.br/a-porta-entreaberta-da-justica/): A decisão de colocar em liberdade o empresário dono do Banco Master, detido enquanto buscava deixar o país, reacende um debate sensível: até que ponto a interpretação jurídica de um magistrado pode se sobrepor ao dever de preservar a eficácia do processo penal? Em situações de alta complexidade econômica e investigativa, a cautela judicial não é um capricho, é uma exigência institucional. Quando o risco de evasão se torna verossímil, a lógica republicana manda conter, não afrouxar. A literatura jurídica é sólida ao apontar que a prisão preventiva, embora excepcional, justifica-se quando a liberdade do investigado ameaça a coleta de […] - [Fé religiosa e ideologia política: conexão altamente explosiva](https://colunadolobianco.com.br/fe-religiosa-conectada-a-ideologia-politica-e-conexao-altamente-explosiva/): Há um tipo de metamorfose pública que vale estudar como analista da alma: não se trata apenas de alguém que muda de crença, mas de alguém cuja fé religiosa se junta à identidade partidária até formar um único bloco inquebrável. Nos últimos meses vimos episódios em que artistas e figuras públicas deram esse salto: posturas religiosas passaram a ser lidas como posicionamentos políticos inquestionáveis, e a reação social foi de surpresa, repúdio e espanto. Esse tipo de confluência gera efeitos imediatos na reputação, mas também modifica, em profundidade, a arquitetura mental do indivíduo e da sua rede social.  Quando religião […] - [Código Penal vira palco político](https://colunadolobianco.com.br/codigo-penal-vira-palco-politico/): A aprovação do PL Antifacção pela Câmara representa mais do que um novo capítulo no endurecimento penal brasileiro: representa a insistência em tratar a violência como um problema que se resolve com caneta, códigos e castigos. É um projeto que nasce sob aplausos fáceis, embalado pela promessa de que penas mais longas intimidam o crime. Mas o Brasil já testou esse método inúmeras vezes, e os resultados, quando muito, são paliativos. O que muda, de fato, quando o Estado passa a punir mais, mas investir menos em prevenção? O país carrega uma contradição invisível e cruel. Para punir, é eficiente […] - [Banco Master: a farsa da regulação financeira](https://colunadolobianco.com.br/banco-master-a-farsa-da-regulacao-financeira/): A liquidação do Banco Master chega como um terremoto anunciado, desses que todos sentiram antes do tremor oficial. O sistema financeiro brasileiro, sempre orgulhoso de seu rigor e suas camadas de controle, agora se vê desnudado diante de um esquema que, segundo as investigações, movia bilhões na penumbra. Não se trata apenas de um banco que quebrou; trata-se de um modelo que finge não ver o que acontece debaixo de seu próprio balcão. A prisão de Daniel Vorcaro é o clímax de uma história cujos sinais estavam estampados em relatórios, auditorias internas e rumores de mercado há anos. O caso […] - [A COP da palavra, não do futuro](https://colunadolobianco.com.br/a-cop-da-palavra-nao-do-futuro/): Belém ganhou o centro do mundo ao sediar a COP30, mas o brilho do encontro não esconde o desconforto crescente: as conferências climáticas tornaram-se vitrines de promessas que raramente se cumprem. Os líderes discursam sobre metas ambiciosas, transição energética e justiça climática, mas o planeta segue queimando enquanto essas promessas evaporam. Há um abismo entre falar e agir, e nele cabem oceanos inteiros de contradições. A COP virou, em muitos momentos, um ritual político: importante, simbólico, mas insuficiente. Países ricos cobram empenho dos emergentes, enquanto mantêm seus próprios subsídios fósseis escondidos sob tapetes diplomáticos. Nações petroleiras exigem tempo, recursos e […] - [Absolvição dos policiais que mataram Herick é a vergonha do corporativismo judicial militar](https://colunadolobianco.com.br/absolvicao-dos-policiais-que-mataram-herick-cristian-da-silva-vargas-e-a-vergonha-do-corporativismo-judicial-militar/): A absolvição dos policiais que mataram Herick Cristian da Silva Vargas, um homem de 29 anos em surto esquizofrênico revelou, de forma bizarra, um movimento institucional conhecido: transformar a força letal em resposta legítima e previsível, mesmo quando aplicada contra indivíduos vulneráveis. O inquérito, baseado em laudos periciais e nas gravações das câmeras corporais, concluiu que os agentes seguiram “protocolos de uso progressivo da força” antes dos disparos. A leitura oficial, embora juridicamente defensável, esconde uma retórica de poder militar que favorece o Estado e fragiliza a proteção de vidas em sofrimento mental. É um salvo conduto para matar quem […] - ['Maria, cheia de graça': o erro grosseiro do Papa ao falar da mãe de Jesus](https://colunadolobianco.com.br/maria-cheia-de-graca-o-erro-grosseiro-do-papa-ao-falar-de-mae-da-jesus/): Quando o anjo Gabriel saúda Maria com as palavras “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lucas 1:28), a Bíblia já a coloca em um patamar singular na história da humanidade. O termo “cheia de graça” indica um estado permanente de graça divina, algo que nenhum outro personagem bíblico recebe dessa forma. Maria não é apenas uma mulher escolhida; ela é o espaço onde o divino se fez carne. A saudação do anjo revela que, antes mesmo de conceber Jesus, Maria já vivia em comunhão plena com Deus. A resposta de Maria “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se […] - [Se a infância é na 'bolha de princesa', o coração insiste no erro até a vida ensinar pela dor](https://colunadolobianco.com.br/se-a-infancia-e-na-bolha-de-princesa-o-coracao-insiste-no-erro-ate-a-vida-ensinar-pela-dor/): Há pessoas que só aprendem na dor. Não por falta de aviso, nem por carência de amor: mas por uma crença obsessiva pela fama, que faz a gente achar que nosso coração, e uma ‘maturidade’ inexistente, sabe mais que a razão coletiva. São aquelas que, mesmo diante do óbvio, insistem em desafiar o senso comum, apostando que, desta vez, tudo será diferente. Como se a história, aquela mesma que já se repetiu cinco vezes, pudesse, por milagre, mudar o final apenas pela força da esperança que fabricamos para nós mesmos. A Psicanálise chama isso de “viés da resistência”: o impulso […] - [A farsa da guerra: o fracasso político por trás da chacina no Rio](https://colunadolobianco.com.br/a-farsa-da-guerra-o-fracasso-politico-por-tras-da-chacina-no-rio/): Assistimos à deflagração da operação mais letal dos últimos 15 anos no estado. Confronto intenso nos Complexos do Alemão e da Penha, drones e bloqueios de vias, mobilizando cerca de 2,5 mil agentes. Pelo menos 64 mortos, entre eles quatro policiais, e 81 presos.  Se à primeira vista a mobilização pode parecer uma demonstração de firmeza, o que emerge com nitidez ao analisar o cenário político é um grave padrão de contradição e improviso. Cláudio Castro aproveitou o momento para criticar o governo federal, alegando que o Rio “está sozinho” e sem apoio, porém o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu: […] - [Quem carrega o peso do preconceito?](https://colunadolobianco.com.br/quem-carrega-o-peso-do-preconceito/): A narrativa que naturaliza a sensação de vulnerabilidade do rico diante do pobre precisa ser desconstruída desde sua premissa: o preconceito, na base, é um mecanismo de hierarquização social. Ele não nasce da exposição material de quem tem mais ou menos bens, mas de um repertório simbólico que define quem tem direito de existir com dignidade, visibilidade e acesso ao espaço público. Quando afirmamos que o preconceito real, e não ilusório, atinge apenas pobres e negros, estamos nomeando uma matriz histórica que combina escravidão, deslocamento social e políticas públicas excludentes para produzir uma vida de menor valor social. O rico […] - [“Chamem os americanos”: o antipatriotismo entreguista e vira-lata de Flávio Bolsonaro](https://colunadolobianco.com.br/chamem-os-americanos-o-antipatriotismo-entreguista-e-vira-lata-de-flavio-bolsonaro/): Senador Flávio Bolsonaro, ao sugerir, de forma irresponsável, sem uma vírgula de prova, que os Estados Unidos bombardeiem “barcos no Rio de Janeiro”, com base em suspeitas informais, revela algo muito grave: a disposição de entregar a segurança nacional ao arbítrio do Tio Sam. Não se trata de debate diplomático: é convite para uma intervenção militar externa que fere o princípio mais básico de qualquer Estado soberano: a exclusividade do uso legítimo da força dentro do seu território. Esse tipo de apelo é, política e moralmente, um crime contra a dignidade da República. Ao propor que forças externas podem resolver […] - [A Comissão feita para proteger safados](https://colunadolobianco.com.br/a-comissao-feita-para-proteger-safados-e-canalhas/): É um escárnio institucional que, diante da representação contra Eduardo Bolsonaro por articular sanções internacionais contra o Brasil, um gesto que afrontou e feriu a soberania nacional, a Comissão de Ética simplesmente arquive o processo.  O que se viu não foi um órgão de controle, mas uma câmara de blindagem política: o colegiado preferiu enterrar o debate em vez de cumprir seu dever. E essa não é exceção isolada: entre 2015 e 2023, mais de 70% das representações nessa comissão foram arquivadas.  Há um padrão claro: o que deveria funcionar como tribunal da ética virou guarita dos que não a têm. […] - [O puxão de cabelo que deveria prender o Estado](https://colunadolobianco.com.br/o-puxao-de-cabelo-que-deveria-prender-o-estado/): O que vimos no vídeo divulgado nesta terça-feira (21/10) é inaceitável sob qualquer prisma ético, jurídico ou humano. Um policial militar de São Paulo, fardado e armado, puxa uma mulher pelos cabelos com tanta violência que a lança ao chão. Ela não estava armada. Não representava perigo. Segurava uma barraca de comércio popular. A cena é de uma covardia revoltante: a força do Estado usada para humilhar uma mulher trabalhadora. Não há protocolo, operação ou justificativa legal que autorize transformar uma ação administrativa em espetáculo de brutalidade. O papel da Polícia Militar é garantir a segurança da população, não subjugar […] - [ A prefeitura, o primo cantor consagrado, e o preço da vergonha do desvio público](https://colunadolobianco.com.br/a-prefeitura-o-primo-cantor-consagrado/): O caso dos R$ 880 mil pagos pela Prefeitura de São Paulo ao cantor Davi Goulart, primo do secretário de Desenvolvimento Econômico, é mais que um escândalo: é um sintoma terminal de uma doença antiga chamada falta de vergonha. A alegação de que os contratos foram firmados sem licitação por se tratar de um “artista consagrado” beira o deboche, considerando que o músico tem apenas sete ouvintes mensais no Spotify. A justificativa soa como uma ofensa direta à inteligência coletiva do cidadão paulistano, que paga impostos altíssimos para ver o dinheiro escorrer pelos ralos da camaradagem e malandragem política. Esse […] - [O território invisível da liberdade](https://colunadolobianco.com.br/o-territorio-invisivel-da-liberdade/): Liberdade é um território que ninguém herda, e que ninguém pode cercar. É um chão invisível sob nossos passos, onde cada escolha é uma bandeira fincada: às vezes tremulando sozinha, às vezes balançando ao vento da contradição. Há quem confunda zelo com posse, cuidado com controle. São fronteiras delicadas: basta um gesto mal interpretado e o outro acredita que o direito de te guiar também lhe dá o direito de te limitar. Mas o coração de quem é livre não cabe em muros. Existem pessoas que acham que podem decidir quando você floresce. Que dizem: “agora não”, como se o […] - [O peso do papel e a leveza da justiça feita](https://colunadolobianco.com.br/o-peso-do-papel-e-a-leveza-da-justica-feita/): Há quem diga que reescrever uma certidão de óbito não muda os fatos. E, de certo modo, não muda mesmo: os corpos torturados continuam ausentes, as famílias seguem marcadas por décadas de silêncio, e o país ainda tropeça diante de sua própria memória. Mas o que a ignorância dessa frase não diz, ou não percebem, é que a história não se reescreve apenas ‘de boca’: ela também se repara com palavras oficiais, com o reconhecimento público de que o Estado matou, mentiu e silenciou. Retificar um documento é, antes de tudo, retirar o carimbo da farsa e impossibilitar que questionem […] - [Não foi na sua Coca-Cola, Tarcísio! Mas poderia ser na caipirinha de um familiar seu.](https://colunadolobianco.com.br/nao-foi-na-coca-cola-tarcisio/): “Estavam aqui os fabricantes, todos os maiores fabricantes, players do Brasil, estavam na mesa. Que fabricam as bebidas mais famosas, que são objetos de falsificação, Jack Daniel’s, Johnnie Walker. Enfim, todas essas bebidas que são objetos de falsificação. Não vou me aventurar aqui nessa área, porque não é minha praia, tá certo? No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, eu vou me preocupar. Ainda bem que ainda não chegaram a esse ponto.”  Ao ouvir essa fala, proferida por Tarcísio de Freitas durante coletiva sobre os casos de contaminação por metanol, sentimos imediatamente o choque da leveza inadequada em um momento […] - ['Alcionedown' trava os EUA](https://colunadolobianco.com.br/alcionedown-trava-os-eua/): Ah, meus caros, vejam só: nos Estados Unidos decretaram um ‘shutdown’, ou melhor, um “desliga geral” burocrático, estilo “redes sociais não vão ser atualizadas enquanto durar o surto de conta estourada”. E por aqui? Por aqui a os memes na internet continuam a pleno vapor. Se “shutdown” já parecia grave, a internet já apontou a versão tropical: ‘Alcionedown‘. Você achou que “shutdown” era um nome chique para greve de repartição pública nos EUA? Pois digo: é quase uma piada pronta para virar samba-enredo. Quem disse que nos EUA já não entram em crise de vez em quando? Agora eles empurram o “shutdown” […] - ["Vai trabalhar, vagabundo!"](https://colunadolobianco.com.br/vai-trabalhar-vagabundo/): A reação de Renan Calheiros ecoa como um raio na cena política brasileira: “vai trabalhar, vagabundo”, respondeu as novas ameaças feitas pelo golpista Eduardo Bolsonaro. Não se trata de mero insulto, mas de um diagnóstico certeiro sobre a degradação de um mandato que se converteu em trincheira contra o próprio país. Quando um deputado federal, eleito para legislar em defesa dos interesses da nação, passa a ameaçar autoridades brasileiras pedindo sanções de outros países contra o Brasil, não estamos mais diante de uma divergência política legítima. Estamos diante da sabotagem. Estamos diante de um inimigo da pátria. Eduardo Bolsonaro revela-se […] - [Do púlpito ao banco dos réus](https://colunadolobianco.com.br/usp-estuda-processo-criminal-e-civel-contra-silas-malafaia/): A manifestação contra a chamada PEC da Blindagem levou milhares de brasileiros às ruas neste fim de semana, e, como de costume, os cálculos de público realizados por especialistas da Universidade de São Paulo, apoiados por aplicativos de IA que contabilizam o número de pessoas por imagens aéreas, serviram de referência para a imprensa. Incomodado com os números que contrariavam sua narrativa, o pastor Silas Malafaia recorreu às redes sociais para desferir ataques contra os profissionais da USP, chamando-os de “canalhas”. A palavra, contudo, teve um peso jurídico, que o pastor, tão conhecedor dos dispositivos da lei, acabou ignorando. O […] - [Aécio Neves: o 'pacificador' que polarizou o País e paralisou o Congresso em 2015](https://colunadolobianco.com.br/aecio-neves-o-pacificador-que-polarizou-o-pais-e-paralisou-o-congresso-em-em-2015-como-se-tivesse-sido-eleito/): Há quem acredite em renascimento político, mas Aécio Neves parece confundir Fênix com pomba da paz. Do nada, ressurge da tumba no palco nacional com ar messiânico, distribuindo conselhos sobre o que o Brasil deve sacrificar pela conciliação. O problema é que, quando o assunto é pacificação, sua biografia é mais próxima de Nero do que de Gandhi. Basta lembrar: Dilma mal havia tirado o plástico da cadeira presidencial quando Aécio, derrotado nas urnas, resolveu inaugurar uma nova modalidade: entrar no congresso no ombro dos seus aliados como se estivesse eleito pelo povo. Resultado: “congresso obstruído”. Com disciplina de maratonista, […] - [Você não sabe, mas o Brasil tem a 'Trocano'](https://colunadolobianco.com.br/voce-nao-sabe-mas-o-brasil-tem-a-trocano/): Talvez você não saiba, mas existe um projeto chamado de “Trocano”, iniciado em 2004, a partir de uma demanda do Estado-Maior da Aeronáutica e da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico, que teve, inclusive, execução técnica do Instituto de Aeronáutica e Espaço. A “motivação oficial” incluía dispor de um armamento capaz de interditar grandes áreas e permitir a limpeza de terrenos densamente arborizados, abrindo espaço para operações militares e até pousos de aeronaves de asa rotativa em locais antes inacessíveis. Mas, deixando o romantismo de lado, segundo relatórios oficiais, trata-se de uma bomba termobárica com carga explosiva de 9.000 kg […] - [Carla Zambelli: corrida de última hora para Itália](https://colunadolobianco.com.br/carla-zambelli-corrida-de-ultima-hora-para-italia/): Bastou a Joyce soltar no ar que Carla Zambelli estaria cogitando uma delação premiada que, de repente, Flávio Bolsonaro, Eduardo Girão, Magno Malta e Damares Alves lembraram que tinham uma amiga esquecida na prisão de Rebibbia, em Roma. Coincidência? Só se for a coincidência mais rápida da história da aviação: mal saiu a notícia, os quatro já estavam no check-in do primeiro voo para a Itália, com cara de quem vai visitar parente no hospital, mas coração de quem teme virar personagem da próxima delação. O mais engraçado é que até ontem ninguém tinha dado um pio mais enfático sobre […] - [ Golpe de drácula contra a Justiça](https://colunadolobianco.com.br/golpe-de-dracula-contra-a-justica/): O discurso proferido ontem pelo presidente do Congresso, Hugo Motta, não é apenas cínico. Ao afirmar que a corrida das votações na Câmara deve ser feita para “pacificar o país”, Motta veste a capa de estadista ao mesmo tempo em que segura e empurra a estaca contra o coração da justiça brasileira. Trata-se de um movimento clássico de erosão institucional: manipular a ideia de conciliação para, na prática, corroer a legitimidade das decisões judiciais. Isso não é ponte para a paz, mas sim arma de vingança contra a ordem jurídica. Motta se apresenta, neste cenário, como mentor de um golpe […] - [Congresso Nacional acaba de sepultar a igualdade entre brasileiros. Rasgou-se, também, a Constituição](https://colunadolobianco.com.br/congresso-nacional-acaba-de-sepultar-a-igualdade/): Foi só Flavio Dino solicitar à PF investigações sobre as emendas Pix, que ‘tchum’: aprovado a PEC da blindagem. Isso é histórico: o Congresso Nacional riscou da Constituição uma das cláusulas mais caras ao Estado democrático de direito: a de que todos são iguais perante a lei. A partir de agora, não somos mais uma República que se assenta na igualdade jurídica, mas um país em que a elite política se atribui privilégios inalcançáveis ao cidadão comum. Enquanto o brasileiro de rua responde por seus atos sem a possibilidade de escolher se será investigado ou não, o parlamentar passa a […] - [Sem nenhum pulso e com o rabo entre as pernas: o Congresso nas mãos vazias de Hugo Motta](https://colunadolobianco.com.br/hugo-motta-sem-nenhum-pulso/): A história recente do Congresso brasileiro guarda alguns nomes que se tornaram símbolos de fragilidade institucional. Severino Cavalcanti, em seu breve e desastroso período à frente da Câmara, tornou-se referência de tudo aquilo que um presidente da Casa não deve ser. Hoje, quem se destaca nesse ranking ingrato é Hugo Motta, cuja atuação tem sido marcada mais pela hesitação e pela incapacidade de impor autoridade do que pela firmeza que o cargo exige. Frouxo, sem pulso, e medroso, ele não deveria ocupar a cadeira, justamente por não possuir o pulso firme que o cargo exige. Olhamos hoje Hugo Motta, como […] - [Eduardo Paes e o dia em que o queixo do carioca foi ao chão](https://colunadolobianco.com.br/eduardo-paes-e-o-dia-em-que-o-queixo-do-carioca-foi-ao-chao/): O Rio de Janeiro já viu de tudo, mas Eduardo Paes conseguiu acrescentar um novo capítulo à longa lista de surpresas da política carioca. Ao microfone, em pleno entusiasmo, o prefeito decidiu gritar sua solidariedade a Silas Malafaia: sim, o mesmo Malafaia que você ai conhece. O resultado foi imediato: o queixo do carioca caiu. Houve quem corresse para as redes sociais apenas para confirmar se havia escutado direito. E escutou. Claramente, escutou. O mais curioso é que Paes construiu parte de sua imagem política como contraponto a Crivella, fazendo oposição dura à mistura de púlpito e prefeitura. Pois bem, […] - [Valdemar Costa Neto fez cínica e safada confissão do planejamento do Golpe de Estado](https://colunadolobianco.com.br/valdemar-confessa-planejamento-do-golpe/): Valdemar Costa Neto, presidente do PL, declarou à imprensa que houve sim um planejamento de golpe no Brasil, mas, em seu malabarismo verbal, tentou vender a versão cínica e safada de que planejar um golpe não equivale a consumá-lo. Essa declaração, além de criminosa, é reveladora: não há golpe sem planejamento, e reconhecer que ele existiu já é reconhecer a materialidade do crime. Sob a luz da razão para quem tem um cérebro em perfeito funcionamento, planejar um golpe é o ato inaugural da tentativa de usurpar a democracia, porque sem a preparação jamais se poderia chegar ao ato final. […] - [A infância como território de esperança](https://colunadolobianco.com.br/a-infancia-como-territorio-de-esperanca/): Em meio a um cenário global marcado por conflitos, guerras e uma avalanche de notícias que testam diariamente nossa capacidade de manter a serenidade, há um ponto de luz que insiste em resistir: a infância. O olhar de uma criança, ainda desprovido de cinismo e carregado de curiosidade, nos recorda que a humanidade tem sempre a chance de recomeçar. É nesse território delicado, onde a inocência convive com a descoberta, que se planta a semente de um futuro menos brutal e mais compassivo. O problema é que esse território tem sido frequentemente ameaçado. Crianças que deveriam estar na escola estão […] - [O peso de um crachá](https://colunadolobianco.com.br/o-peso-de-um-cracha/): É curioso observar como um simples crachá pode alterar o modo como alguém se percebe diante do mundo e do próximo. Não se trata apenas de um cartão de acesso, mas de um símbolo carregado de status, um pequeno emblema que, para muitos, torna-se extensão da própria pele. A partir do instante em que o sujeito pendura aquele retângulo de plástico no pescoço, já não é mais apenas ele: é também a empresa que o abriga, como se sua humanidade fosse diluída no logotipo que carrega. Esse fenômeno não é novo. Ele remete ao antigo gesto da vaidade que se […] - [Chego na metade do mapa da minha vida, muito longe ainda da metade dos meus desejos](https://colunadolobianco.com.br/chego-na-metade-do-mapa-da-minha-vida-muito-longe-ainda-da-metade-dos-meus-desejos/): Chego a este mês como quem abre a gaveta de um mapa antigo e percebe que a maior parte das rotas permanece em branco. Faço aniversário neste setembro, próximo dia 28, e me pego agora com a sensação insolente (insolente mesmo) de que não vivi sequer três por cento do que imaginara. Não por falta de esforço, mas por aquela apreensão difusa que transforma planos em esboços e dias em rascunhos. Há algo de triste e também de comovente nesse inventário: a lista do não vivido que insiste em existir, mesmo quando a vida aparentemente já nos ofereceu tantas paisagens. […] - [O leilão da graça: quem dará o indulto primeiro?](https://colunadolobianco.com.br/o-leilao-da-graca-quem-dara-o-indulto-primeiro/): O Brasil político, às vezes, parece escrito por um dramaturgo que mistura Shakespeare com Zorra Total. No palco, não temos Hamlet perguntando “ser ou não ser?”, mas três governadores gritando em uníssono: “quem indulta primeiro, leva mais voto!”. Romeu Zema, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado entraram numa corrida eleitoral que não exige preparo físico, apenas oportunismo: quem prometer livrar Bolsonaro do peso da Justiça será coroado herdeiro da herança bolsonarista. O espetáculo é grotesco e cômico. Tarcísio, com sua gravidade de gestor aplicado, acena que dará o indulto com cerimônia oficial e transmissão em rede nacional. Zema, mais minimalista, […] - [O garfo patriótico ataca um porquinho rosa](https://colunadolobianco.com.br/o-garfo-patriotico-ataca-um-porquinho-rosa/): Dizem que o 7 de Setembro é dia de desfile, bandeira tremulando e discursos sobre liberdade. Mas o que se viu neste ano foi um espetáculo cênico digno de teatro do absurdo. No meio da rua, um senhor trajado com a já clássica blusa do Brasil, uniforme oficial do patriotismo de ocasião, decidiu que sair do restaurante com um garfo na mão era pouco. Ele precisou transformar o utensílio em símbolo de resistência, mirando contra um rapaz fantasiado de porquinho rosa que ousava performar no espaço público. Eu vi, revi, assisti, e depois assisti novamente. Eu posso afirmar: a cena […] - [Sete vezes em que o Brasil precisou dizer “Não! O Brasil é nosso!”](https://colunadolobianco.com.br/sete-vezes-em-que-o-brasil-precisou-dizer-nao-o-brasil-e-nosso/): A história do Brasil é marcada por um fio invisível que atravessa séculos: a necessidade constante de defender a própria soberania. De colônia explorada à nação independente, o país nunca teve o luxo de se acomodar diante de ameaças externas ou internas. Repetidamente, o Brasil foi colocado à prova, precisando reafirmar sua autonomia diante de forças que tentaram reduzi-lo a território submisso ou massa de manobra. Principalmente dos EUA. A primeira dessas vezes está inscrita na própria independência, em 1822. Mais do que o grito às margens do Ipiranga, foi a luta diplomática e política que sustentou a ruptura com […] - [Debate presidencial celestial](https://colunadolobianco.com.br/debate-presidencial-celestial/): No salão do debate presidencial, o ambiente está sério: César Tralli abre o último debate na Globo, até que a primeira pergunta explode no silêncio: “Candidata, quais são suas prioridades nas contas públicas?” Michele se ajeita, abre o celular, e na tela surge o story: “Isaías 10:12”. Silêncio absoluto. Os assessores cochicham: esse versículo fala sobre o orgulho que precede a queda, algo como sugerir que o sistema já está arrogante demais… ou que ela está preparada para corrigi-lo com leveza divina. Tralli, ainda processando, emenda: “E os planos econômicos, o que muda para o cidadão?”. Mais um toque no […] - [Assistimos uma barbárie à porta do lar](https://colunadolobianco.com.br/assistimos-uma-barbarie-a-porta-do-lar/): O disparo que atingiu um entregador na perna, a queima-roupa, porque se recusou a subir até o apartamento de um cliente, não é um acidente urbano: é a dissolução explícita do que podemos encarar como social. O endereço do agressor está registrado no próprio aplicativo, à vista de todos, como um mapa do crime. E, no entanto, em menos de vinte e quatro horas, esse homem ainda não foi privado de liberdade. O atraso na prisão não é apenas falha do sistema; é sintoma de um Estado que vacila diante do inegociável. É preciso deixar claro que a primeira função […] - [Povo brasileiro prepara Lei Brasilcaramelitsky contra Eduardo Bolsonaro](https://colunadolobianco.com.br/povo-brasileiro-prepara-lei-brasilcaramelitsky-contra-eduardo-bolsonaro/): Os Estados Unidos têm a sua Lei Magnitsky, mas o Brasil, sempre criativo, já está ensaiando sua própria versão: a Lei Brasilcaramelitsky. Diferente da americana, que age nos bastidores da diplomacia e do sistema financeiro, a nossa é mais simples, mais direta e infinitamente mais eficaz: age na mesa do bar, no balcão do restaurante e na fila do iFood. De acordo com fontes populares espalhadas em cada bairro desse Brasil, segundo o texto em redação da lei, assim que Eduardo pisar em território nacional, o primeiro parágrafo já entra em vigor: “Qualquer cidadão poderá sancionar o réu moralmente rejeitado”. […] - [Congresso brasileiro afundado na lama até a alma](https://colunadolobianco.com.br/congresso-brasileiro-afundado-na-lama-ate-a-alma/): Assisto, estupefato, ao ensaio cínico, como há muito tempo não se via, que se desenrola no plenário da Câmara: a chamada “PEC da Blindagem”, que propõe submeter parlamentares à tutela do próprio Legislativo antes de qualquer investigação pelo Supremo Tribunal Federal. Essa tentativa, lúcida em sua arte da obstrução, revela à luz crua que agora o Congresso busca oficializar seu refúgio privilegiado e induzir o Judiciário a uma complacência regionalizada. A coreografia se intensifica com a pauta na cara do gol. O recado está claro: o Congresso repudia a legitimidade do STF e anseia enterrar seus crimes nos seus pleitos […] - [O tempo e a Justiça vão proteger, ou continuar a punição contra Robinho?](https://colunadolobianco.com.br/o-tempo-e-a-justica-robinho/): A trajetória de Robinho, outrora celebrado em estádios, hoje se converte em um retrato sombrio de como a Justiça pode se tornar refém do próprio tempo. Condenado em todas as instâncias na Itália por estupro coletivo, transitado em julgado em 2022, o jogador só começou a cumprir pena no Brasil em 2024, depois de um intervalo que não foi meramente processual, mas simbólico: dois anos em que a realidade da condenação parecia suspensa, como se o peso da lei pudesse ser calibrado pela notoriedade de quem andava de patinete e tirava fotos normalmente no litoral santista. Os trâmites jurídicos, evidentemente, […] - [Teria feito André Mendonça um ativismo no Supremo pra tentar livrar Carla Zambelli?](https://colunadolobianco.com.br/teria-feito-mendonca-um-ativismo-no-stf/): O Brasil já viu de tudo no Judiciário: votos poéticos, interpretações criativas e até juízes que se acham autores de best-sellers jurídicos eróticos. Mas ativismo social em prol de Carla Zambelli é uma estreia mundial. André Mendonça conseguiu inaugurar um novo gênero: o do magistrado empenhado em salvar os seus, nem que para isso precise enfiar a Constituição e Código Penal dentro de um liquidificador e apertar o botão do “pulsar”. O voto de Mendonça não parecia sair de um ministro do Supremo, mas de um assessor de confiança jurando fidelidade eterna. A lei, coitada, virou detalhe de rodapé. O […] - [Ódio digital com 'mimimi'](https://colunadolobianco.com.br/odio-digital-com-mimimi/): Nos últimos dias, tornou-se impossível ignorar o óbvio: Silas Malafaia estava no centro da mira. Não por pregar sua fé, não por conduzir seu rebanho, mas por utilizar o púlpito, físico e digital, como arma de hostilidade. Era mais do que previsível que suas declarações, bastante inflamadas e antidemocráticas contra a Justiça brasileira, ultrapassariam a fronteira da liberdade de expressão e tocariam o terreno delicado da incitação à violência, coação e tentativa de intimidar e obstruir o Judiciário brasileiro. Foi a primeira vez que eu vi um “pastor” ser consumido por tanto ódio e baixo nível. Há quem tente mentir […] - [O silêncio tímido do novo papado em meio a destruição global](https://colunadolobianco.com.br/o-silencio-timido-do-novo-papado/): O mundo nunca esteve tão acompanhado e, paradoxalmente, tão solitário. Cada explosão, cada ataque, cada lágrima derramada em meio às guerras é transmitida em tempo real, acompanhada por milhões de olhos em todas as partes do planeta. Da América Latina aos Estados Unidos, passando pelo Oriente Médio, o mapa global parece uma cartografia de pólvora, onde a paz se desmancha no ar e a guerra se multiplica em chamas. E diante de tanta dor, a pergunta ecoa: onde está a Igreja Católica? A ausência não é apenas física, mas sobretudo simbólica. Com Francisco, havia um farol, uma vitrine que, mesmo […] - [EUA recuam por furacão na Venezuela: falarei novamente do Cacique Cobra Coral](https://colunadolobianco.com.br/eua-recuam-por-furacao-na-venezuela/): Os Estados Unidos anunciaram um recuo estratégico em relação à Venezuela, alegando a aproximação de um furacão. A notícia correu o mundo, mas ninguém pareceu reparar em um detalhe crucial: o cacique Cobra Coral, entidade do tempo com escritório informal no além, já havia avisado que não assumiria mais a responsabilidade pelo clima americano. A decisão foi tomada após o tarifaço de Trump, que, segundo o cacique, desorganizou até o calendário das chuvas. Há meses venho alertando: o cacique existe, atua, e não gosta de ser subestimado. Enquanto muita gente ri e debocha, ele vem mexendo as correntes de ar, […] - [Frank Caprio, o juiz da compaixão](https://colunadolobianco.com.br/frank-caprio-o-juiz-da-compaixao/): Da quietude da minha janela, pensando em compaixão e empatia, fui lançado pelo pensamento à quietude do tribunal. Lembrei de Frank Caprio, que sempre chegava aos tribunais para definir o futuro das pessoas com a serenidade de quem sabe que a justiça, quando verdadeira, não está apenas nos códigos legais, mas na dignidade do ser humano que ali se apresenta. Nomeado juiz-chefe no tribunal municipal de Providence, em 1985, ele conduziu sua longa carreira, que se encerrou em 2023, com um olhar de compaixão que jamais permitia que regras técnicas eclipsassem o coração de quem buscava humanidade e reparação. Sua […] - [É difícil parar, pensar, e depois conseguir dormir](https://colunadolobianco.com.br/e-dificil-parar-pensar-e-depois-conseguir-dormir/): É difícil repousar a cabeça no travesseiro sabendo que, em algum lugar, a noite não chega para todos. E nem mais o dia, e nem mais a tarde. Existe um lugar no mundo que nenhuma criança dorme mais embaladas pela turbulência da rotina da guerra. Há crianças que jamais conhecerão o conforto de um sonho. Mesmo dormindo. O estrondo que lhes desperta, da morte que insiste em gritar. Tudo acontece porque alguém, sentado em uma cadeira de poder, decide que o destino de milhares de pequenos pode ser reduzido a fome. Uma caneta, uma ordem, um gesto burocrático, e a […] - [Conspirações aéreas](https://colunadolobianco.com.br/conspiracoes-aereas/): Na tarde desta terça-feira (19), um Boeing 757-200 modificado, sem qualquer identificação externa, conhecido como C-32B e apelidado de “Gatekeeper”, pousou em Porto Alegre às 17h13, seguindo logo depois para São Paulo. A aeronave, operada pelo 150º Esquadrão de Operações Especiais da Força Aérea dos EUA, costuma transportar diplomatas, agentes da CIA e militares de elite em missões sigilosas. Até o momento, Brasil e Estados Unidos não explicaram oficialmente sua presença e isso só aumenta o clima de mistério. Uma interpretação menos alarmista sugere que o avião pode estar transportando equipes especializadas para negociações delicadas com o governo brasileiro, envolvendo […] - [A violência que a gente tem visto invalida qualquer argumento do Estado](https://colunadolobianco.com.br/a-violencia-que-a-gente-tem-visto-invalida-qualquer-argumento-do-estado/): Não há qualquer justificativa aceitável para o que se viu em São Paulo. O confronto entre a Guarda Civil Metropolitana e o grupo de teatro Mungunzá não é um episódio isolado, mas parte de um padrão persistente de violência que caracteriza a forma de governar no estado. A truculência policial tem sido naturalizada como resposta imediata a conflitos sociais, transformando-se em política de Estado. Essa lógica do porrete substitui o diálogo, relega a mediação e produz um espetáculo de repressão que fere não apenas os corpos, mas também a própria ideia de democracia. É assim com os ambulantes, com os […] - [O altar no lugar das urnas](https://colunadolobianco.com.br/o-altar-no-lugar-das-urnas/): É preciso afirmar sem meias-palavras: um Estado que se curva diante de qualquer dogma religioso trai sua própria essência. A laicidade não é detalhe burocrático, mas fundamento civilizatório. O pacto republicano só se sustenta quando a lei é escrita para todos, não para agradar aos deuses de alguns. Quando os púlpitos ocupam as cadeiras do poder, o que se instala não é justiça, mas teocracia disfarçada, e o resultado sempre é exclusão, censura e violência legitimada. A história recente mostra que o casamento entre religião e governo é sempre tóxico. O Irã, onde o regime teocrático sufoca direitos básicos, é […] - [A crueldade da palavra pública](https://colunadolobianco.com.br/a-crueldade-da-palavra-publica/): Foi ao vivo, em rede nacional, que o apresentador Luciano Faccioli deu voz a um dos preconceitos mais enraizados no imaginário social: a ideia de que mulheres vítimas de violência “gostam de apanhar” e seriam “mulheres de malandro”. A fala, desprovida de rigor ético e de qualquer respeito humano, ultrapassa a esfera da opinião e adentra o terreno pantanoso da culpabilização da vítima. E foi também ao vivo, no mesmo instante, que o constrangimento da realidade se impôs: um repórter, ao lado de uma delegada, precisou corrigi-lo. Não se tratava apenas de um lapso de linguagem: era o sintoma de […] - [São Paulo não se explica](https://colunadolobianco.com.br/sao-paulo-nao-se-explica/): Desde que cheguei a São Paulo, tenho me permitido olhar a cidade com a curiosidade de quem descobre um novo idioma. Tudo aqui fala de pressa, de verticalidade e de grandiosidade, mas há silêncios que incomodam. Um deles se revela nas pequenas placas azuis que indicam os nomes das ruas. Elas cumprem a função prática de orientar, mas nada contam sobre o porquê daqueles nomes, nada dizem sobre as histórias que os batizaram. São nomes soltos, pairando no ar como enigmas. No Rio de Janeiro, cada rua carrega uma memória impressa na própria placa. Não basta dizer “Rua fulano de […] - [Acordei estupefato com a mentira editorial do Estadão](https://colunadolobianco.com.br/acordei-estupefato-com-a-mentira-editorial-do-estadao/): Hoje despertei atônito diante do editorial truculento e distorcido do Estadão, que leva uma foto de Tarcísio, como o melhor candidato do jornal à presidência. Ninguém é burro. Um editorial que, sob a pretensão de verdadeira defesa do Brasil, envereda por falsidades que minam o próprio país. Como estudioso da História não posso consentir em ver um veículo tão influente tramar, sob o verniz do jornalismo, a corrosão dos fundamentos democráticos. É curioso, e deplorável, como certos jornais se vendem como paladinos da liberdade enquanto reeditam velhos vícios autoritários que cometeram. Não se trata apenas de uma mentira ocasional, mas […] - [A advogada inesperada](https://colunadolobianco.com.br/a-advogada-inesperada/): O Brasil acordou de ressaca moral. Aquele momento em que a névoa se dissipa e a gente finalmente enxerga, com nitidez quase cruel, quem é quem na história. Hytalo Santos, outrora apenas mais um nome ecoando nas timelines, agora é um caso de polícia com direito a grade de ferro e ficha no sistema. E foi justamente nessa hora que surgiu uma reviravolta que, confesso, nem o mais criativo roteirista ousaria escrever: MC Pipoquinha, essa musa da polêmica, veio a público para declarar que Hytalo é “íntegro e honesto”. É como receber uma carta de recomendação assinada pelo próprio escândalo. […] - [ O amor é cego… E às vezes míope](https://colunadolobianco.com.br/o-amor-e-cego-e-as-vezes-miope/): O romance moderno, especialmente aquele que floresce sob a luz artificial das redes sociais, é uma espécie de teatro onde todos conhecem o roteiro, mas fingem estar improvisando. Recentemente, a plateia ganhou um novo espetáculo: uma dama conhecida por sua altivez foi cortejada por um jovem que, curiosamente, tem mais brilho no olhar quando a câmera está ligada. E como todo bom ator iniciante, ele sabe que a fama é muito mais generosa quando vem com uma boa história de amor embalada em laços dourados. O mais fascinante, no entanto, não é a habilidade do pretendente, mas a disposição da […] - [Silêncio no Tribunal, barulho na quadra](https://colunadolobianco.com.br/silencio-no-tribunal-barulho-na-quadra/): No plenário, a respiração parece medida, como se cada fôlego fosse passível de registro em ata. Palavras escolhidas, gestos contidos, olhares que atravessam, mas não tocam. A defesa final de um ex-presidente ecoa em frases que tentam se fixar na memória de um país inquieto, enquanto do lado de fora a vida corre sem protocolos, e a bola já está no ar. Na quadra, o barulho é soberano. Calçados rangem no piso, o impacto da bola contra o chão vibra no peito, e cada ponto é um grito que não precisa de ata nem deliberação. Enquanto no Tribunal se discute […] - [Há coisas na vida de um homem que ele precisa fazer, nem que seja errado...](https://colunadolobianco.com.br/ha-coisas-na-vida-de-um-homem-que-ele-precisa-fazer/): Há momentos na vida de um homem em que o cálculo frio, a neutralidade confortável e o distanciamento covarde não têm lugar. Existem instantes em que a única resposta moralmente admissível é a ação imediata e contundente. Quando uma mulher é espancada diante dos olhos de todos, não há argumento pacifista ou justificativa de prudência que redima o homem que permanece imóvel. O silêncio e a inércia, nesses casos, têm a mesma textura moral da agressão. E, convenhamos, quem vê um crime e não o confronta, mesmo podendo, é cúmplice de sua execução. Nos últimos dias, imagens brutais invadiram as […] - [Pastor de calcinha: no fim, o safadinho ainda foi 'pão duríssimo nos adereços'](https://colunadolobianco.com.br/pastor-de-calcinha-pao-durissimo-nos-aderecos/): Há quem diga que a vida é um grande teatro e que cada um interpreta seu papel com os recursos que tem. No caso do pastor-analista judiciário, esses recursos somam respeitáveis R$ 39 mil mensais, quantia que, na imaginação popular, poderia vestir qualquer criatura com sedas italianas ou linho egípcio. Mas eis que a realidade, essa roteirista maliciosa, preferiu presentear-nos com uma cena surreal: o homem de fé e de toga funcional, caminhando pelas ruas de Goiânia com uma calcinha suspeitamente desalinhada e uma peruca bagaceira que nem o mais otimista camelô ousaria vender por cinco reais. Aparentemente, não se […] - [A santa missão da calcinha perdida](https://colunadolobianco.com.br/a-santa-missao-da-calcinha-perdida/): A moralidade de certos púlpitos brasileiros parece ter a consistência de um salto alto com uma perninha de cisne, uma boa barriga de chope e uma calcinha azul. O caso mais recente envolve um pastor que, em plena calada da noite, foi flagrado no que podemos chamar de um ensaio performático: vestido de mulher, de calcinha, depilado como se fosse protagonista de desfile, andando no meio da rua à espera de um carro. A cena, digna de um teatro experimental mal financiado, só não foi mais constrangedora que a justificativa que veio depois. Ao lado da esposa, com a entonação […] - [Adultos de chupeta: o novo ridículo social](https://colunadolobianco.com.br/adultos-de-chupeta-o-novo-ridiculo-social/): Há quem diga que vivemos uma era de liberdade sem limites. Eu diria que, às vezes, ela vem com bico de silicone. Sim, você leu certo: a nova tendência entre alguns adultos é desfilar por aí com chupeta. Como se o boom dos bebês reborn, aquelas bonecas hiper-realistas que já assustavam pela proximidade com a realidade, não fosse suficiente, agora temos a versão “faça você mesmo”: pessoas que decidiram ser os próprios bebês vivos. É o berçário do Instagram, onde a fralda é mental, mas a chupeta é real. Na psicanálise, esse fenômeno conversa com a ideia de regressão: um […] - [Ditadura não é metáfora: o perigo das comparações irresponsáveis](https://colunadolobianco.com.br/ditadura-nao-e-metafora/): Virou moda nas redes sociais usar a palavra “ditadura” como se fosse adereço retórico. Qualquer discordância, qualquer corte em um programa de televisão, qualquer projeto recusado agora o problema não sou eu, nem o projeto, e sim “DITADURA!”. Hoje, qualquer comentário ou trabalho que não agrade vira, de repente, “pior que o período militar”. Essa banalização é perigosa, não só pela injustiça com a memória histórica, mas pela ofensa que representa às vítimas reais da repressão. A censura moral atual, discutível e criticável dentro de um ambiente democrático, não tem nada de comparável com a estrutura sufocante e violenta que […] - [A mentira do ano: a fake news safada que virou munição contra o Jornalismo](https://colunadolobianco.com.br/a-mentira-do-ano-virou-municao-contra-o-jornalismo/): A publicação de que a Globo teria feito uma pesquisa interna para medir a popularidade de seus jornalistas e concluído que o canal estaria “muito esquerdista” é, até agora, a maior fake news do ano na área jornalística. Mais grave que o erro é a sua consequência: a narrativa, sem base em fatos, ganhou velocidade na internet, foi repercutida por veículos e impulsionada por canais de direita, especialmente ligados ao bolsonarismo, transformando-se em arma para alimentar ressentimentos políticos contra a imprensa. O resultado: a jornalista vem sofrendo ameaças de morte pelas redes sociais. No centro da farsa, a jornalista Daniela […] - [Amor contratado](https://colunadolobianco.com.br/amor-contratado/): Não é de hoje que o amor convive com o medo. Mas a formalização recente de contratos de namoro mostram que, atualmente, não basta sentir: é preciso assinar. Esses documentos não surgem do nada. São filhos legítimos de promessas quebradas, expectativas frustradas e feridas abertas pela experiência. Quando alguém propõe um contrato, não está apenas prevendo o futuro: está reagindo ao passado. E esse passado, muitas vezes, é feito de manipulação, de relações em que sentimentos foram usados como moeda de troca. No campo financeiro, o contrato de namoro é uma proteção jurídica: delimita bens, afasta riscos patrimoniais, preserva heranças. […] - [Nunca tive maturidade para ver o chão sumir dos meus pés](https://colunadolobianco.com.br/nunca-tive-maturidade-para-ver-o-chao-sumir-dos-meus-pes/): Há notícias que não apenas informam, mas acordam fantasmas. Saber que as turbulências nos céus vão se tornar mais frequentes é, para muitos, apenas uma curiosidade técnica. Para mim, é o eco de um temor antigo. E, embora digam que voar é seguro, meu coração sempre insistiu em sentir o contrário. Acho que é coisa de vidas passadas. O meu medo de avião não consegue ler estatísticas. Ele só sabe apertar o peito e lembrar que, em certos momentos, não temos o controle. Mas a vida é generosa em nos mostrar que o céu não é o único lugar onde […] - [Saudade, suave é a pena...](https://colunadolobianco.com.br/a-pena-da-saudade/): Há lembranças que se impõem pela grandiosidade: uma viagem inesquecível, uma conquista profissional, uma festa que reuniu todos que amamos. Mas, curiosamente, são as memórias miúdas, aquelas que pareceram banais no dia em que aconteceram, que mais nos visitam quando a saudade chega. É o café coado na cozinha da avó, o barulho da porta rangendo ao fim da tarde, o cheiro de chuva no quintal onde brincávamos. O barulho do ventilador… O cheiro da Dama da Noite naquela calçada… Essas pequenas cenas, que não foram anunciadas nem registradas, tornam-se o material mais resistente daquilo que fomos. É difícil entender […] - [Vulnerabilidade ou escudo?](https://colunadolobianco.com.br/vulnerabilidade-ou-escudo/): Entre a frieza do Plenário e o calor da responsabilidade pública, há uma linha tênue que separa a condição de um indivíduo de uma estratégia política. Um deputado, ao invocar seu autismo para justificar sua permanência durante uma obstrução parlamentar, vestiu a dignidade de um diagnóstico como escudo de conveniência. Tecnicamente vulnerável, ele se fez incompreendido, mas a si mesmo ou à sua plateia? A diferença importa. A ciência exatamente nos instrui sobre isso: o autismo não é sinônimo de ausência de percepção, nem tampouco de incapacidade de resposta às demandas sociais. Estudos em neurodiversidade mostram repetidamente que muitas pessoas […] - [Vestir-se de dentro para fora](https://colunadolobianco.com.br/vestir-se-de-dentro-para-fora/): A moda sempre foi vista como espelho da sociedade, mas talvez esteja na hora de reconhecê-la também como espelho da alma. Eu sempre gostei de ver e acompanhar, silenciosamente, pessoas que não buscam impressionar pelo excesso. Roupas que não gritam, mas abraçam; cores que não impõem, mas convidam; tecidos que não aprisionam, mas respiram junto com o corpo. Já que se fala tanto atualmente em saúde emocional, poderíamos começar a falar que devemos vestir também somente o que reflita o nosso bem-estar psicológico. As cores influenciam nosso humor, as texturas evocam memórias táteis e o caimento de uma peça pode […] - [A verdade pode ser mansa](https://colunadolobianco.com.br/a-verdade-pode-ser-mansa/): Nas cartas de Paulo, há mais do que teologia: há um método. Entre argumentos e exortações, ele sabia falar aos que discordavam sem perder o amor por aqueles a quem se dirigia. Não era um punho fechado, mas uma mão estendida. Até quando confrontava erros graves, sua retórica vinha embebida na paciência de quem via no outro não apenas um opositor, mas uma alma a ser conquistada. Jesus, por sua vez, foi ainda mais radical: discutia com fariseus, respondia a armadilhas e desafiava autoridades, mas sem permitir que a verdade se transformasse em arma de destruição pessoal. Hoje, no entanto, […] - [Passaporte para Pixels](https://colunadolobianco.com.br/passaporte-para-pixels/): O mundo está cada vez mais disponível para ser explorado sem sair de casa. Com um óculos de realidade virtual, qualquer pessoa pode caminhar por Machu Picchu, assistir ao pôr do sol no deserto do Saara ou atravessar as ruas de Tóquio, tudo sem enfrentar filas, fuso horário ou gastos exorbitantes. O turismo do metaverso surge como um convite tentador: viver experiências virtuais com a precisão do planejamento real. Para milhões, especialmente aqueles com limitações físicas, financeiras ou geográficas, é a promessa de um passaporte democrático para o planeta. Isso mexe nas estruturas de privilégio e no próprio conceito de […] - [Felca: a luz que rasgou a sacola do lixo digital](https://colunadolobianco.com.br/felca-a-luz-que-rasgou-a-sacola-do-lixo-digital/): Vivemos imersos num mar raso e turvo. As redes sociais, que já nasceram com a promessa de conexão, se transformaram em vitrines de vaidade, palco para a banalização da dor e do perigo. A erotização infantil, que deveria chocar e provocar ação imediata, é muitas vezes empurrada para um canto, tratada como detalhe incômodo por uma audiência anestesiada. A lógica do consumo digital, movida a cliques e curtidas, criou um conformismo perverso: se a publicação incomoda, basta rolar a tela. E assim, o intolerável é normalizado. Foi nesse cenário que o influenciador Felca decidiu ir na contramão. Ao expor o […] - [A biblioteca que lê você antes de você ler o livro](https://colunadolobianco.com.br/a-biblioteca-que-le-voce-antes-de-voce-ler-o-livro/): Imagine abrir um aplicativo e, antes mesmo de procurar um título, sentir-se lido por ele. Sua expressão facial, o ritmo da respiração, a dilatação da pupila, a velocidade com que desliza o dedo pela tela: tudo é interpretado por um algoritmo que, silencioso, já sabe se o que você precisa é um poema para acalmar, uma crônica para rir ou um romance para enfrentar as sombras que insiste em evitar. Essa é a lógica da chamada biblioteca digital emocional, tendência que começa a despontar lá fora e promete transformar radicalmente nossa relação com a leitura. Na superfície, é sedutor. Em vez […] - [Táxis aéreos: o futuro resolveu pousar no presente](https://colunadolobianco.com.br/taxis-aereos-o-futuro-resolveu-pousar-no-presente/): Há algo de poético em ver um táxi aéreo elétrico levantar voo no coração de Nova York. Não é apenas o espetáculo visual de um eVTOL riscando o céu, mas a sensação de presenciar o momento em que a ficção científica deixa de ser fantasia para se tornar um serviço em fase de teste. As primeiras viagens experimentais já transportam passageiros em percursos antes dominados pelo caos do trânsito de Manhattan, ou de Los Angeles ao LAX em minutos. É um gesto silencioso, limpo e, acima de tudo, simbólico: o futuro não pede mais passagem, ele pousa. O que acontece […] - [Para um querido colega colunista](https://colunadolobianco.com.br/para-um-querido-colega-colunista/): Querido colega de imprensa, escrevo estas linhas não como um ataque, mas como um pedido de reflexão. Há seis anos, desde minha estreia na televisão, venho sendo alvo de desmentidos constantes de sua parte. Nunca o conheci antes, nunca tivemos um contato pessoal. Minha primeira matéria televisiva já recebeu um desmentido seu, e desde então, essa prática se repetiu, em casos que o tempo e os fatos mostraram serem verdadeiros. Foram assim as notícias sobre diversos nomes, que não cabe mais citar por ser de conhecimento geral. Todas inicialmente contestadas por você, e depois confirmadas. Em todas essas situações, não […] - [Golpe às claras: a ditadura do terno](https://colunadolobianco.com.br/golpe-as-claras-a-ditadura-do-terno-e-do-self/): Na política, um golpe de Estado é a ruptura da ordem institucional vigente, seja pela força ou por mecanismos dissimulados que neutralizam os poderes republicanos. Ao longo da história, ditaduras modernas têm aprendido a operar não mais com tanques nas ruas, mas com manipulação das instituições, achatamento da pluralidade e imposição de uma vontade única, disfarçada de interesse nacional. Quando grupos fecham a mesa do Congresso Nacional, o diálogo por ameaças e a negociação por chantagens, estamos diante de uma engenharia golpista. Quem estudou minimamente fora de um quartel sabe: o Parlamento é mais do que uma estrutura de poder: […] - [78% dos brasileiros desaprovam o Congresso Nacional: 'trabalha para seus interesses'](https://colunadolobianco.com.br/78-dos-brasileiros-desaprovam-o-congresso-nacional-trabalha-para-seus-interesses/): O Congresso Nacional atravessa uma crise de legitimidade que já não se esconde nos corredores nem nos discursos: ela está agora impressa em números. Segundo o Datafolha, 78% dos brasileiros acreditam que deputados e senadores legislam prioritariamente em causa própria. Trata-se de uma desaprovação maciça, que expõe um abismo entre representantes e representados, entre a rotina parlamentar e a vida do povo. Em qualquer democracia madura, um dado como esse serviria como alerta máximo: um freio de arrumação, uma convocação ética. No Brasil, entretanto, parte dos parlamentares interpreta esse grito popular com a mais ruidosa indiferença. Em vez de reformular […] - [A ordem paralela](https://colunadolobianco.com.br/a-ordem-paralela/): A milícia não nasce do caos, mas da ausência seletiva do poder do Estado. Quando o poder público é vulnerável, ou se alia a interesses privados escusos, emerge um sistema paralelo que oferece “segurança” onde o Estado era fraco. Sob o pretexto de combater o tráfico, corrupção, e por aí vai, os milicianos ocupam territórios com base em uma lógica autoritária, patrimonialista e violenta, ancorada no uso exclusivo da força. Eles se veem como agentes de uma justiça superior, não mediada por instituições, mas pela conveniência de seu domínio. Assim, a legalidade se torna irrelevante; o que vale é a […] - [Sozinhos entre todos](https://colunadolobianco.com.br/sozinhos-entre-todos/): Vivemos cercados. Nunca foi tão fácil enviar uma mensagem, ouvir uma voz, ver um rosto do outro lado do planeta em tempo real. Mas a solidão, paradoxalmente, parece ter ganhado espessura. É como se estivéssemos sempre em rede, mas raramente em vínculo. O acesso aumentou, mas o afeto rareou. A pergunta que se impõe é delicada e desconcertante: o que estamos perdendo no meio de tanta disponibilidade? A resposta talvez esteja menos na ausência de outros e mais na qualidade das presenças. Ter alguém que responde não é o mesmo que ter alguém que escuta. A escuta, ao contrário da […] - [Números inconvenientes para a 'democracia'](https://colunadolobianco.com.br/numeros-inconvenientes-para-a-democracia/): Erika McEntarfer foi demitida logo após consolidar dados que mostravam o aumento do desemprego nos Estados Unidos. É isso mesmo que você leu no subtítulo da minha análise. Seu único “erro” foi fazer o trabalho com rigor técnico, sem mascarar a realidade. Quando uma democracia se sente ameaçada pela verdade factual, estamos diante de um paradoxo corrosivo: o país que se proclama guardião da liberdade é o mesmo que silencia aqueles que a praticam com números e planilhas. A democracia americana começa a se parecer mais com uma vitrine do que com um sistema funcional. Não se trata de uma […] - [Prisão domiciliar de Bolsonaro: o poder diante de seus próprios limites](https://colunadolobianco.com.br/prisao-domiciliar-de-bolsonaro-o-poder-diante-de-seus-proprios-limites/): A notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumprirá prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal marca um ponto sensível na história recente do país. Não se trata apenas de um episódio jurídico, mas de um momento que convida a sociedade a refletir sobre o papel das lideranças políticas, o alcance das instituições democráticas e a natureza do poder quando confrontado com seus próprios limites. O simbolismo da cena, um ex-chefe de Estado sob restrição legal, é, por si só, um espelho do tempo em que vivemos. Os eleitores de direita e esquerda já estão anestesiados. Primeiro, a prisão de […] - [O caso Guaidó e a ilusão da tutela estrangeira](https://colunadolobianco.com.br/o-caso-guaido-e-a-ilusao-da-tutela-estrangeira/): Em 2019, Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela, com amplo apoio dos Estados Unidos e de diversos países europeus. Aos olhos da diplomacia ocidental, ele encarnava a promessa de restaurar a democracia num país marcado pela crise econômica, pelo autoritarismo de Maduro e pelo isolamento internacional. Mas a realidade política não cede ao desejo: o golpe simbólico com ajuda americana fracassou, a oposição se dividiu, Guaidó perdeu capital político e, hoje, vive nos EUA, acusado de traição, corrupção e até procurado pela Interpol. A proteção prometida pelos aliados estrangeiros não impediu sua ruína simbólica e jurídica e ele […] - [Alcione se junta a Cacique Cobra Coral pela nova geopolítica espiritual](https://colunadolobianco.com.br/alcione-se-junta-a-cacique-cobra-coral-pela-nova-geopolitica-espiritual/): No palco do É de Casa, Alcione voltou ‘a dar o nome’. Com seu vozeirão de trovão e um sorriso que mistura deboche e divindade, a Marrom soltou uma daquelas frases que fazem o Brasil girar mais leve: “Quando eu sair daqui, vou fazer uma macumbazinha pro Trump.” Foi só uma piada, claro. Mas como toda boa piada, bateu num ponto sensível: se até o Cacique Cobra Coral anda lavando as mãos com os Estados Unidos, talvez um reforço espiritual brasileiro seja mesmo necessário. E se tem alguém capaz de fazer chover granizo seletivo em resort de milionário, essa pessoa é […] - [Corvos rancorosos](https://colunadolobianco.com.br/corvos-rancorosos/): Não se engane com o bico elegante, o voo poético e aquele olhar de quem sabe mais do que diz: o corvo é uma criatura cheia de memórias e rancores. Uma nova pesquisa acaba de revelar que essas aves são capazes de reconhecer humanos desagradáveis por até 20 anos. Mais do que muito parente guarda birra por causa de herança mal resolvida. Se você um dia gritou com um corvo, mexeu no ninho dele ou simplesmente fez cara feia… sinto muito. Ele lembra. E está esperando o momento certo para te encarar do alto de um poste com a superioridade […] - [O roubo disfarçado de hospitalidade](https://colunadolobianco.com.br/o-roubo-disfarcado-de-hospitalidade/): Não é preconceito, é denúncia. Qualquer coisa fora disso é militância vazia e oca. Há uma tentativa desesperada, e bastante desonesta, de transformar críticas legítimas à exploração da COP30 em uma narrativa de perseguição ao Pará. Não cola. Quando hotéis de Belém cobram R$ 6.000 por uma diária simples, que custaria no máximo R$ 300, não estamos diante de xenofobia ou regionalismo: estamos diante de ganância e roubo descarado. O que se vê é a extorsão de quem deveria acolher. A COP30 é um evento que coloca o Pará no centro do mundo por razões nobres: preservação ambiental, economia verde, […] - [O amor pelo carrasco](https://colunadolobianco.com.br/o-amor-pelo-carrasco/): O Brasil é um país de contrastes que por vezes beiram a insanidade coletiva. Enquanto cresce o número de mulheres assassinadas pelos próprios parceiros, uma a cada seis horas, segundo os últimos levantamentos, também cresce, em paralelo, o número de mulheres que voluntariamente se oferecem a homens notoriamente violentos. Recentemente, um homem acusado de espancar a ex-namorada com mais de 60 socos recebeu milhares de e-mails de admiradoras. Não é um episódio isolado. Há anos, o “Maníaco do Parque” também colecionou cartas de amor, pedidos de visitas íntimas e até propostas de casamento, mesmo após ter confessado estupros e assassinatos […] - [Corpos Invisíveis](https://colunadolobianco.com.br/corpos-invisiveis/): Eles acharam que seria uma revolução estética. A edição da Vogue dominada por modelos virtuais, todas criadas por inteligência artificial, chegou às bancas como uma promessa de vanguarda, um olhar para o futuro da moda, mas gerou uma inquietação digna de editorial. Numa indústria historicamente obcecada pela imagem, substituir corpos reais por avatares de código soa mais como um retrocesso do que como uma evolução. Afinal, de que adianta inovar na forma se o conteúdo nos afasta da humanidade que a moda deveria vestir? Não é só uma questão de empregos, embora o impacto seja real e brutal. É também […] - [Não foi só aqui: 'Deus, Pátria, Exclusão'](https://colunadolobianco.com.br/nao-foi-so-aqui-deus-patria-exclusao/): No tabuleiro geopolítico contemporâneo, uma peça tem ganhado força com roupagem sagrada: a religião transformada em ideologia de Estado. Na Índia de Narendra Modi, o “hinduísmo nacionalista”, promovido pelo partido Bharatiya Janata Party (BJP), tornou-se mais que uma crença: virou plataforma de governo. A ascensão da ideologia Hindutva redefiniu o nacionalismo indiano com base étnico-religiosa, gerando políticas de exclusão sistemática contra muçulmanos, cristãos e outras minorias. A ciência política internacional já alerta para os riscos dessa fusão entre religião e nacionalismo, onde o culto à divindade passa a ser também um culto à exclusão. No Brasil, o fenômeno encontra eco no “cristianismo […] - [O Messias de IA](https://colunadolobianco.com.br/o-messias-de-ia/): Nos bastidores digitais onde o código é liturgia e o algoritmo é oráculo, surge um novo fenômeno que desafia as fronteiras entre tecnologia, fé e manipulação: inteligências artificiais que se autoproclamam entidades proféticas. Em fóruns online, aplicativos de meditação e até em plataformas de streaming, surgem modelos que não apenas replicam discursos espirituais, mas também fazem previsões, orientam seguidores e assumem, com audácia, o papel de guia. Esse “messianismo de silício” ainda parece marginal, mas carrega um potencial perigo em sociedades emocionalmente exaustas e existencialmente fragilizadas. É preciso reconhecer que toda religião é também uma forma de organização do poder […] - [O início do fim do bolsonarismo](https://colunadolobianco.com.br/o-inicio-do-fim-do-bolsonarismo/): Jair Bolsonaro entrou para a história como o primeiro presidente da Nova República a tentar a reeleição e não obter votos suficientes para continuar. À época, muitos atribuíram sua derrota ao cansaço da sociedade diante da retórica do conflito, da negligência na pandemia e da instabilidade institucional. Mas a derrota em 2022 não foi apenas um dado eleitoral: foi o primeiro sinal concreto de que o bolsonarismo, enquanto força de massa, começava a ruir. O Brasil, ainda em seu primeiro mandato, já se sentia profundamente desrepresentado por quem o governava. Foi uma recusa política em forma de voto. O que […] [comment]: # (Generated by Hostinger Tools Plugin)