Jesus Cristo: antes de amar, sinta-se amado!

A fé não pode ser esforço. Ela é resposta. Não se cobre. Jesus, fez o convite mais transformador que você poderia receber: parar de tentar provar amor e começar, finalmente, a viver como alguém que já é infinitamente amado por Ele.

Terminei de ler, agorinha pouco, um livro que dialoga sobre as passagens que Jesus Cristo teve perante os nefitas. E essa leitura me despertou uma reflexão bem sensível, que me encheu o peito de carinho. Talvez, seja esse sentimento que chamam de “espírito Santo” que invade a gente de repente. Eu estava pensando que talvez exista uma inversão silenciosa na forma como muitos de nós vivemos a fé: tentamos amar a Deus com intensidade, provar devoção, demonstrar merecimento, como se o céu fosse uma conquista e não um encontro. Nessa busca, às vezes ansiosa, quase performática, esquecemos de um ponto essencial: o amor que vem de Deus não começa em nós. Ele nos antecede. Ele nos criou, e não o contrário. Ele nos alcança antes mesmo de qualquer gesto nosso. E talvez seja justamente aí que mora a libertação mais profunda: compreender que não precisamos convencer Deus do nosso amor, mas nos abrir para aquilo que Ele já sente por nós.

A própria mensagem de Jesus é atravessada por essa verdade. Ele não condiciona o amor, não estabelece pré-requisitos emocionais ou espirituais para amar. Pelo contrário, Ele se aproxima dos que falham, dos que duvidam, dos que nem sequer sabem amar direito. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16) não é apenas uma frase conhecida: é um marco radical de entrega. Um amor que não exige garantias, que não espera perfeição, que se doa até as últimas consequências. A cruz, nesse sentido, não é cobrança: é declaração. Jesus, nesse sentido, foi o maior progressista do amor que já passou pelo nosso conhecimento.

Talvez o grande equívoco humano seja tentar produzir amor a partir do medo: medo do castigo, da rejeição, do inferno, do umbral, da perda da salvação, seja lá como se denomine isso. Esse tipo de sentimento até pode gerar comportamento religioso, mas dificilmente gera transformação verdadeira. Amor forçado não floresce, apenas se sustenta na aparência. E Deus, que conhece o íntimo, não se move por encenações. O que Ele oferece não é um contrato baseado em desempenho, mas um relacionamento fundamentado em graça. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19) revela justamente essa ordem natural das coisas: o amor autêntico nasce como resposta, não como obrigação.

Quando, então, nos permitimos sentir, de fato, que somos profundamente amados por Deus, algo muda dentro de nós. A fé deixa de ser peso e se torna caminho. Se torna agradecimento. O amor por Deus passa a ser espontâneo, quase inevitável, como quem simplesmente devolve aquilo que transborda. Não há mais necessidade de cartaz, de prova, de exibição. Há intimidade. E talvez seja esse o convite mais transformador: parar de tentar provar amor a Deus e começar, finalmente, a viver como alguém que já é infinitamente amado por Ele.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

LEIA MAIS

A blindagem do falso Sagrado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *