Nem educação opressiva, nem educação permissiva: solução está no desenvolvimento das virtudes da criança, e não em flexões de braço
É revelador quando uma instituição educacional decide corrigir jovens não por meio do diálogo, mas pela submissão física. A escola, que deveria ser espaço para elaboração do pensamento e construção da autonomia, transforma-se em palco de demonstração de força. Em 2026, a punição corporal coletiva não educa: ela produz vergonha, humilhação e internalização do medo como referência de autoridade. O que se ensina ali não é respeito às regras, mas a associação entre poder e constrangimento. Um aprendizado silencioso determinado por quem detém o comando pode expor o outro à dor moral como espetáculo disciplinador.
Sistemas excessivamente punitivos não produzem cidadãos mais responsáveis, mas sujeitos mais ressentidos ou submissos, e até agressivos. Quando o corpo do estudante vira instrumento pedagógico, a escola abandona sua função educacional para autoafirmação de controle. A punição cria hierarquias rígidas e naturaliza a ideia de que alguns devem obedecer sem questionar enquanto outros exercem autoridade sem limites claros. Nesse cenário, a disciplina deixa de ser construção coletiva e passa a ser imposição; e toda imposição sustentada pela humilhação gera, inevitavelmente, merda social.
Práticas desse tipo revelam algo ainda mais inquietante: a confusão entre formação cidadã e adestramento. Democracias maduras dependem de indivíduos capazes de pensar criticamente, não de corpos treinados para obedecer automaticamente. Esses mini quartéis educacionais revelam uma inversão perigosa: a escola deixa de preparar para a vida pública plural e passa a simular estruturas onde a autoridade não precisa justificar-se, apenas impor-se.
A grande burrice é que crianças e adolescentes não interpretam apenas a punição; eles absorvem a mensagem estrutural que a acompanha: a de que sua dignidade pode ser suspensa em nome da ordem. É justamente por reconhecer a vulnerabilidade dessa fase da vida que o ordenamento jurídico brasileiro estabelece salvaguardas específicas para proteger jovens de situações degradantes ou constrangedoras. Não podemos permitir que a educação seja substituída pela intimidação, e de que o poder, incapaz de educar, recorra à exposição do corpo para tentar governar consciências.
