Uma das maiores fissuras na hegemonia financeira e política brasileira
É assustador perceber o caso do Banco Master como um “sistema” financeiro” e político concentrado em uma elite financeira que dita o rumo do país. Famílias tradicionais do setor bancário como a “cabeça” dessa estrutura corroendo junto políticos e servidores, as instituições públicas, como o Judiciário e o Legislativo. São camadas e mais camadas de proteção e gestão para interesses privados de alta magnitude.
Essa estrutura, no entanto, não é imune a conflitos internos, e é aqui que o caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro se torna emblemático. A crise atual não seria fruto de uma falha institucional externa, mas de uma “rejeição” dentro do próprio corpo do sistema. Quando um player financeiro não é assimilado pela cúpula tradicional, as ferramentas de controle, como a mídia e os órgãos de fiscalização, são mobilizadas para expeli-lo, revelando que a coesão do poder é mantida pela exclusão de quem não agiu ‘dentro do jogo’, ou seja, não rezou pela cartilha estabelecida.
A mídia tradicional, embora necessária, ainda é responsável por uniformizar o pensamento da classe média através de discursos repetitivos. Esse mecanismo de controle social visa garantir que a opinião pública permaneça alinhada aos interesses da cúpula financeira, evitando que movimentos de ruptura ganhem tração popular. Aqui faço o alerta de que a “notícia” ou “análise econômica” é, muitas vezes, apenas o reflexo das ordens que vêm do topo da pirâmide, mantendo o status quo através da hegemonia da informação.
Por outro lado, a existência de uma classe burocrática e de legisladores que, em momentos de crise, tentam proteger figuras controversas como Vorcaro, indica uma fragmentação perigosa. O sistema passa a lutar contra si mesmo: de um lado, a cúpula financeira e a mídia pedindo a “cabeça” do intruso; do outro, políticos e tribunais que podem ter interesses convergentes com esse novo player. Esse cenário de crise sistêmica deixa um recado claro: vence a batalha quem tiver a melhor narrativa e relação jurídica.
É de considerar também a internet como o “terreno livre” onde essa guerra se torna visível. A conclusão é de que vivemos em um sistema de “pensamento repetido”, onde a verdadeira autonomia intelectual só é possível quando se entende que as crises institucionais são, muitas vezes, apenas ajustes de contas entre as elites que disputam o controle do capital e do poder no Brasil.
