O visitante espacial que desafia a ciência atual

O 3I/ATLAS tem causado um enorme mistério diante dos cientistas. E tem um motivo: movimentos quase impossíveis pela probabilidade física de serem naturais

Imagine algo vindo de muito, muito longe. Tão longe que não pertence ao nosso Sistema Solar. Agora imagine que esse “algo” não está apenas passando, mas fazendo um movimento tão preciso, tão calculado, que os cientistas mal conseguem acreditar que seja obra do acaso. Esse é o caso do 3I/ATLAS, um objeto interestelar que está se aproximando da nossa vizinhança cósmica e que tem deixado astrônomos intrigados não apenas pelo que é, mas pelo caminho que decidiu tomar.

Desde que foi detectado em 2023, o 3I/ATLAS se revelou diferente de tudo que já vimos. Não é o primeiro objeto a vir de fora; antes dele, tivemos o excêntrico ‘Oumuamua e o cometa Borisov. Mas o 3I/ATLAS parece jogar em outra categoria. Ele é grande, com cerca de 20 km de largura, tem uma composição semelhante à de cometas, e emite gás como se fosse algo normal. Mas o que o torna verdadeiramente espantoso é o seu trajeto: ele está entrando no Sistema Solar em uma trajetória tão específica, que estatisticamente quase não deveria acontecer.

Cientistas têm calculado a chance de um objeto interestelar fazer esse tipo de manobra natural, se aproximando da eclíptica, a “pista” onde os planetas orbitam, com uma inclinação quase perfeita, e passando por pontos-chave como Mercúrio, Vênus, Marte e até Júpiter. A chance de isso acontecer aleatoriamente é algo como 1 em 100000000000000000000000000, segundo a ciência, talvez menos. É o tipo de número que, na ciência, acende uma luz amarela. E é aí que a curiosidade começa a se tornar um sussurro incômodo: e se não for natural?

Claro, ninguém está dizendo que o 3I/ATLAS é uma nave. Mas também, até agora, nenhum cientista consegue dizer com certeza que não é. A rota que ele faz, como se estivesse planejada para tirar vantagem do Sol e dos planetas, lembra as manobras que sondas humanas fariam para ganhar velocidade e mudar de direção. E o fato de que ele estará oculto da Terra durante o momento em que mais se aproximará do Sol, escondido pelo brilho solar, só alimenta ainda mais as teorias. Estaríamos diante de uma tecnologia disfarçada de pedra cósmica?

O que o 3I/ATLAS nos ensina, mais do que tudo, é que ainda não sabemos quase nada. Às vezes, o universo nos presenteia com algo que parece saído de um romance de ficção científica, e cabe à nossa imaginação manter o mistério vivo enquanto a ciência tenta decifrá-lo. Talvez, no fim, ele seja só um viajante solitário de um sistema esquecido. Mas por enquanto, ele continua sendo a visita mais enigmática do ano para a Ciência, e, quem sabe, dos próximos tempos.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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