A 25 de Março que lute. Mas se presidente americano tocar na Uruguaiana, o carioca vai virar diplomata, espião e capoeirista, tudo ao mesmo tempo. Se Liga, mané!
Donald Trump resolveu mirar o Brasil como se fosse uma liquidação de Black Friday. Subiu tarifas, ameaçou retaliar e, entre uma fake news e outra, sussurrou o nome da famigerada 25 de Março como símbolo da “pirataria global”. Até aí, tudo bem. A 25 é valente, aguenta. Paulistano que se preze já tem até passagem subterrânea pra escapar de operação da Receita. Mas Trump, com todo o respeito, se é que esse termo ainda te pertence: não ultrapasse a Dutra. Há um limite geográfico para a sua audácia, e para o “Menino do Rio”, saiba que ele se chama Estação Uruguaiana.
A Uruguaiana não é um centro de comércio. É uma instituição espiritual, um sistema nervoso paralelo, uma entidade antropológica carioca. Enquanto a 25 de Março grita “barato!”, a Uruguaiana sussurra “confia, chefia”. Ali se compra, sim, um perfume árabe e uma chave de fenda no mesmo quiosque. Mas o que se adquire mesmo é identidade. Mexer com a Uruguaiana é como tentar privatizar o Cristo Redentor, só que com mais consequências diplomáticas.
Imagina só, Trump desembarcando no Galeão, achando que vai fazer inspeção alfandegária. Em cinco minutos, tá sentado num banquinho de plástico tomando um mate gelado com biscoito Globo, ouvindo o ambulante explicar como os Estados Unidos nunca ganharam um Carnaval de verdade. E se insistir, corre o risco de sair dali vestindo camisa do Flamengo, carregando DVD da novela O Clone, jurando que a loira do Tchan foi ministra da cultura e dizendo: “Não acredito que vendem Havaianas a esse preço!!”
O carioca não faz embargo, faz enredo. Se provocarem demais, a próxima escola de samba vem com ala “Imposto de Importação” e comissão de frente vestida de Tio Sam dançando ao som de funk proibidão. A gente não fecha fronteira, a gente convida pra feijoada e insere no grupo de Zap da família. Mas se encostar na Uruguaiana com olhar de julgamento, o jogo vira. O carioca vira diplomata da ONU com diploma de camelô. A gente bota a CIA pra correr com um golpe de capoeira e ainda manda lembrança da Mangueira.
Portanto, Trump, meu caro, continue aí com sua cruzada contra a 25 de Março se quiser. São Paulo é resiliente, organizada, tem nota fiscal eletrônica até pro pastel. Mas não cruze essa linha imaginária chamada Avenida Brasil. Não ouse, repito, não ouse questionar a dignidade da Uruguaiana. Porque quando o carioca se sente ameaçado, ele reage com inteligência, malemolência e, se necessário, com um CD do Molejo na mão e o hino nacional na ponta da língua. Mexe com tudo, menos com a nossa esquina de honra.
