Fevereiro e as 25 horas imaginárias

Mitos sobre o calendário viralizam nas redes sociais e revelam nosso eterno desejo de manipular o tempo.

Bastou circular a ideia de que fevereiro teria um “dia com 25 horas” para que as redes se agitassem. Mesmo rapidamente desmentido, o boato encontrou eco. Não importa a veracidade, importa a fantasia.

O tempo é uma das maiores angústias humanas. Não podemos detê-lo, ampliá-lo ou revivê-lo. Talvez por isso qualquer brecha imaginária, uma hora extra, um fenômeno raro, desperte esperança ou curiosidade. O desejo inconsciente é simples: ganhar mais tempo.

A velha defesa imbecil e inócua contra a finitude. Se o calendário pode ser alterado, talvez o destino também possa. A lógica perde espaço para o desejo. E o desejo sempre vem da falta, até a sequência emocional.

Mas o relógio segue indiferente. O que muda não é o tempo, somos nós, sempre tentando negociar com aquilo que nunca aceita barganha. Relaxa, e goza… Você não tem nenhum controle sobre isso.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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