A descoberta de um sistema planetário “invertido” reacende a velha angústia humana diante do desconhecido.
Astrônomos anunciaram a descoberta de um sistema planetário que desafia a lógica tradicional da formação dos astros: planetas maiores mais próximos da estrela, pequenos mais distantes, uma ordem que parece “ao avesso”. O cosmos, que tantas vezes usamos como metáfora de organização e harmonia, decidiu nos contrariar. A ciência, acostumada a explicar, precisou admitir surpresa.
Há algo de profundamente humano na necessidade de que o universo funcione como esperamos. Quando não funciona, não é apenas a teoria que se abala, é o ego. Desde Freud sabemos que as grandes feridas narcísicas da humanidade vieram justamente quando percebemos que não estamos no centro de nada: nem da Terra, nem da criação, nem sequer do nosso próprio inconsciente.
A descoberta desse sistema “invertido” funciona como um espelho agora para os cientistas. O que chamamos de desordem talvez seja apenas uma ordem que ainda não compreendemos. O estranho nos inquieta porque revela nossa limitação, e porque nos lembra que controle é, muitas vezes, ilusão.
Talvez o universo não esteja invertido. Talvez sejamos nós que insistimos em olhar sempre pelo mesmo ângulo. E quando a realidade nos contraria, o que dói não é o fato em si, é o desmentido. Angustiando não sabermos nada sobre o universo. Ou gratificante…
