O inadiável afastamento de Dias Toffoli

Com pedido da Polícia Federal e imparcialidade sob suspeita, é urgente a higiene institucional no caso do Banco Master

A manutenção de Dias Toffoli na relatoria do caso Banco Master, após a Polícia Federal apontar menções ao seu nome em conversas do investigado Daniel Vorcaro, é um atentado à ética da aparência. No Direito, não basta ser imparcial; é imperativo não deixar margem para dúvidas. Ao ignorar o alerta de um órgão de Estado como a PF, o magistrado prioriza sua permanência no poder em detrimento da credibilidade da Suprema Corte, transformando a justiça em um campo de incertezas morais.

O refúgio no formalismo jurídico, alegando que a prerrogativa de suspeição pertence à PGR, é uma manobra que asfixia a ética em favor do corporativismo. Quando evidências materiais surgem de apreensões técnicas, a legitimidade da denúncia precede o rito burocrático. Blindar um ministro sob o pretexto de competência processual apenas reforça a percepção pública de que o topo do Judiciário opera sob regras próprias, imunes à fiscalização e à moralidade comum que rege a sociedade.

A resistência de Toffoli em se afastar configura um claro conflito de interesses. Em democracias consolidadas, a simples sombra de uma relação imprópria exige a renúncia imediata ao caso para preservar a instituição. Ao declarar que “não vê motivos” para o afastamento, o ministro coloca sua conveniência pessoal acima do interesse público, alimentando um vácuo ético onde a toga serve de escudo para o silêncio e para a manutenção de privilégios injustificáveis.

Qualquer decisão tomada agora carrega o germe da nulidade futura, o que pode levar ao colapso de toda a investigação caso a suspeição seja confirmada tardiamente. A ética exige prudência: manter Toffoli é aceitar o risco calculado de anular processos para proteger um indivíduo, sacrificando a economia processual e a eficácia da lei em prol de uma vaidade autoritária.

O afastamento imediato não é uma condenação antecipada, mas uma medida de higiene democrática. Sem a garantia de um juiz isento, o processo perde sua função social e torna-se uma maquiagem da Justiça. O STF deve agir para expurgar essa mancha; do contrário, deixa de ser o guardião da Constituição para se tornar cúmplice da erosão moral que destrói a confiança dos cidadãos nas instituições de Estado.

Alessandro Lo-Bianco

Fui repórter da Editora Abril, O Dia, Jornal O Globo, Rádio CBN e produtor executivo dos telejornais da Record. Estou ao vivo na RedeTV!, como colunista de TV do programa “A Tarde é Sua”, com Sônia Abrão. Também sou colunista do portal IG (lobianco.ig.com.br). Tenho 11 livros publicados e 17 prêmios de Jornalismo.

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