Superlotação em eventos acende alerta em São Paulo e expõe os limites de copiar modelos de outras capitais
O que se viu hoje em São Paulo foi um sinal claro de alerta. Dois grandes blocos acontecendo ao mesmo tempo, grades derrubadas, gente ferida e o risco real de um acidente grave e fatal mostram que a cidade está chegando a um limite físico que não pode ser ignorado. Carnaval sempre foi multidão, e ninguém espera ruas vazias, mas a sensação que ficou foi a de que, por alguns momentos, o controle simplesmente deixou de existir.
São Paulo construiu, com mérito, um carnaval de rua forte e vibrante, mas sua geografia impõe desafios muito próprios. É uma metrópole marcada por avenidas encaixadas entre prédios, ruas que afunilam, parques cercados por vias já congestionadas e poucos espaços realmente amplos para dispersão de grandes públicos. Diferente disso, o Rio de Janeiro tem áreas naturalmente abertas, sobretudo a orla, o Aterro do Flamengo e largas avenidas costeiras, que permitem a circulação de multidões com mais respiro.
Nos últimos dias, o prefeito Ricardo Nunes passou a sinalizar a intenção de ampliação de grandes shows abertos e eventos de massa, uma estratégia que muitos observadores e usuários nas redes sociais associaram à tentativa de repetir o modelo adotado por Eduardo Paes no Rio, onde espetáculos gratuitos têm movimentado a economia e o turismo. A ideia, em si, não é absurda; o problema está em ignorar que as duas cidades não oferecem as mesmas condições urbanas para esse tipo de concentração humana.
O episódio de hoje não deve servir para condenar a festa, mas para orientar decisões. Carnaval é espontâneo, o público vai para a rua, e isso não vai mudar. O que pode e precisa mudar é o planejamento. Se a expansão de eventos de massa em São Paulo continuar sem considerar os limites reais do espaço urbano, o que hoje foi um susto pode, em algum momento, se transformar em uma tragédia anunciada.
