Papa não entendeu a densidade das Escrituras, em que Maria também é citada como mediadora entre Deus e a humanidade. Veja o que diz a Bíblia sobre Maria…
Quando o anjo Gabriel saúda Maria com as palavras “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lucas 1:28), a Bíblia já a coloca em um patamar singular na história da humanidade. O termo “cheia de graça” indica um estado permanente de graça divina, algo que nenhum outro personagem bíblico recebe dessa forma. Maria não é apenas uma mulher escolhida; ela é o espaço onde o divino se fez carne. A saudação do anjo revela que, antes mesmo de conceber Jesus, Maria já vivia em comunhão plena com Deus.
A resposta de Maria “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1:38) é o segundo sinal de sua santidade. Nesse ato de entrega absoluta, ela se torna o modelo da fé obediente. Essa aceitação sem resistência é vista por teólogos como o momento em que a humanidade, através de Maria, diz “sim” à salvação. Por isso, ainda que Cristo seja enfatizado pelo Papa como o único Salvador, Maria coopera de forma única com o plano divino, abrindo-se totalmente à vontade de Deus. É por isso que, na tradição católica, ela é chamada de “nova Eva”: onde a primeira mulher desobedeceu, Maria obedeceu e restituiu a esperança.
No episódio das Bodas de Caná (João 2:1-11), Maria aparece como mediadora. Ao perceber que falta vinho, ela intercede junto a Jesus e, mesmo quando Ele responde que ainda não chegou sua hora, ela confia: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Essa frase é o coração de sua missão: não substituir Cristo, mas conduzir todos a Ele. Sua intercessão move o primeiro milagre público de Jesus, revelando que sua presença é ativa e sua fé provoca a manifestação da glória divina. É o exemplo claro da mulher que, mesmo em silêncio, impulsiona o Salvador à ação.
O livro do Apocalipse, ao descrever “uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas” (Apocalipse 12:1), é frequentemente interpretado como uma representação simbólica de Maria glorificada. Essa imagem não apenas celebra a vitória da pureza e da obediência sobre o mal, mas também confirma que a mulher escolhida para gerar o Filho de Deus participa de sua glória e missão. Assim, Maria é figura da Igreja e sinal do destino prometido a toda humanidade redimida: ser revestida da luz divina.
Portanto, dizer que Maria não é a salvadora não diminui seu papel: ao contrário, reforça a grandeza de sua fé e sua missão única. Ela é o elo humano mais íntimo entre Deus e o mundo, a mulher que ofereceu o seu corpo e sua alma para que o Salvador pudesse nascer. Quem trouxe o Salvador ao mundo também participa da obra da salvação. Em Maria, vemos o reflexo do amor que acolhe, da fé que não duvida e da pureza que torna possível o milagre de Deus na carne.
